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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O ESSENCIAL




Substituímos a árvore, as bolas 
e enfeites. 
Mudamos nós também 
na aparência, no jeito e na idade.
Permaneceram os laços.
Nada abalou os desejos 
de que você tenha um Feliz Natal 
e um Ano Novo de paz e prosperidade.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

MAIS UMA HISTÓRIA

Dentre todos os diplomas que recebi, esse foi o que gerou mais lágrimas. Não porque tenha sido o mais desejado ou o mais arduamente conseguido, mas porque foi aquele cujo curso tocou mais fundo na minha sensibilidade.
O diploma registra a conclusão do curso de Contadores de Histórias ministrado por Martha Cunha e José K. Mauro, durante o último fim de semana do mês de novembro, em Curitiba. O último curso do ano foi também o primeiro realizado na nova sede da Casa do Contador de Histórias.  

Eu e minha amiga, Zidi Brandão, que já tem experiência como contadora de história, nos juntamos a outras 20 mulheres e 2 únicos homens para desenvolver em nós a arte de contar. 

O que mais me surpreendeu foi descobrir que contar histórias pode ser muito mais do que uma forma de nos aproximarmos das pessoas, de entretê-las e de manter vivas as histórias que o homem  construiu ao longo dos tempos. Contar histórias pode ser uma forma de comunicação inter e intrapessoal. Um modo de buscarmos um conhecimento mais próximo com o nosso eu interior e colaborarmos com a cura das dores humanas. 



Tudo isso foi vivenciado através dos ensinamentos acumulados ao longo da prática de Martha como psicóloga e de Mauro, cuja intuição e simplicidade criavam um clima muito harmonioso ao encontro dos participantes. Junto com vários voluntários, eles usam as histórias como instrumentos de cura para crianças abandonadas ou abusadas sexualmente, portadores de deficiências, idosos, dependentes químicos e outros grupos. 




No encerramento, o voluntário e nosso padrinho, Roque, nos presenteou com duas lindas histórias. E dentre as sincronicidades que marcaram a minha participação no curso, posso citar o fato de uma das histórias ser apresentada em forma de poema e da outra ter como tema o baobá,  árvore cuja muda eu trouxe da minha viagem anterior.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

FLIPORTO



Pela primeira vez, participei da Feira Literária de Olinda (FLIPORTO). Ela tem esse nome porque anteriormente acontecia em Porto de Galinhas. Foram 4 dias super ricos, com mil atividades. A vontade que dava era poder me dividir em 4 ou 5 para não perder nada do que lá acontecia (saí em cortejo poético com os grupos locais, trouxe uma muda de baobá da EcoFliporto, onde fiz uma oficina de caixa de papel em origami, tomei massagem e trouxe mensagem em braille da tenta do Instituto dos Cegos, assisti palestra sobre a contação de histórias no espaço da UBE (União Brasileira dos Escritores), assisti ao lançamento da coletânea de poemas escolhidos de José Inácio Vieira de Melo etc. Infelizmente perdi o show de Jorge Ben Jor e a palestra de abertura com Deepak Chopra.


Os painéis, como o acima, em que escritores como Fernando Morais, Nelson Motta, Frei Betto e Fred Barbosa  foram entrevistados por mediadores (todos homens),  eram apresentados no espaço principal e transmitidos por telas em uma tenda para 400 pessoas. Apesar do público se espalhar entre vários espaços,  achei o evento um pouco esvaziado. No entanto, a criatividade nordestina era muito marcante em todas as atividades.

Maria Paula, a comediante global, lançou o seu primeiro livro de título "Liberdade Crônica". Nessa foto, ela discute com sua editora, Bia, e outra escritora, o que chamam de "Mulher Alfa". 


Mas o ponto alto do evento foi, sem a menor sombra de dúvidas, a entrevista feita pelo jornalista Sírio Bocanera à escritora libanesa Joumana Hadad.  "Eu Matei Sherazade" é o título do interessante livro escrito por Joumana no qual ela discute a condição da mulher no mundo árabe. O mais interessante é que ela traz reflexões importantes, não apenas para a mulher oriental, mas também para nós mulheres do Ocidente. Rompendo todos os estereótipos que possuímos sobre as mulheres do oriente, a escritora apareceu em um vestido curto branco, com saltos muito altos, cabelos soltos e um batom vermelho nos lábios. Falante de vários idiomas, ela presenteou a platéia lendo um trecho maravilhoso do seu livro em Português. Eu chorei!

Histórias de Mãe Benta

O grupo Akpalos: contadores de histórias encerrou no dia 20 de novembro a sua temporada no Teatro Xisto, com o espetáculo "Histórias de Mãe Beata". Ao todo foram oito apresentações nas manhãs de domingo. 
Na abertura, a escritora esteve presente e um caruru foi oferecido ao público presente. 
A minha amiga, Zidi Brandão, era uma das contadoras que nos fez viajar através das lindas histórias do recôncavo, sobre animais ou baseadas em mitos africanos, todas elas extraídas do livro "Caroço de Dendê"
O idade dos componentes do elenco varia entre 10 e 63 anos.  Aí estou entre a mascote, Clara, e a mais experiente deles,  feliz com os seus 63 anos. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ERA DOCE E SE ACABOU...

Acabou ontem a X Bienal do Livro. Aposentada, portanto, nas férias da minha vida, pude me dar ao luxo de ir bater o ponto lá quase todos os dias. Talvez por isso, considero que foi a mais organizada e interessante das bienais. Chegava próximo às 18h e voltava depois das 21, no encerramento diário das atividades.


Destaques para a animação do espaço Cordel e Poesia, coordenado por José Inácio Vieira de Mello, no qual tive a surpresa de conhecer pessoalmente, a poeta e amiga virtual, Lilian Maial, e onde encontrei outros amigos e/ou poetas como Douglas de Almeida, Everaldo, Antônio Barreto, Goulart Gomes, Bete e Juracy, Alberto Lima, Valdeck Almeida, Nívea Vasconcelos, Tiago Oliveira, Everton Lima, Lita Passos, Marcos Peralta, Edgar Velame, entre outros. Nesse espaço, Lani Quinto cantou e leu a poesia de Cartola. O poeta português Luis Seguilha continua desconhecido, porque era impossível acompanhar o seu português galopante.


As ótimas mesas redondas, ou, como disse o poeta Cajazeira Ramos :"sofás retangulares", do Café Literário foram organizadas por Carlos Ribeiro que soube selecionar temas, entrevistados e mediadores bem variados e relevantes. Cada um dos excelentes mediadores, entre os quais destaco Mônica Menezes, José Inácio, Kátia Borges e André Guerra,  deixou a sua marca.  Enquanto a de Cajazeira Ramos foi a descontração, a marca de  Silvino Bastos foi a clareza didática. Não deu para apreciar os desempenhos de dois mediadores:  José de Jesus Barreto que fez uma abertura formal e enfadonha de quase meia hora e o magro Elieser Cesar que lembrava Jô Soares ao interromper constantemente os entrevistados, porém sem o ótimo senso de humor do gordo. Quanto aos entrevistados, vi pela primeira vez os poetas Carpinejar e Antônio Brasileiro (o pai de Tati), ambos polêmicos e irreverentes, embora o segundo seja bem mais simpático.  Já estou lendo "O Manuscrito de Karl Marx" de Armando Avena, o pai de minha sobrinha Joana, que deu um show à parte,  demonstrando conhecimento, descontração e simplicidade. Tive o prazer de falar "Aula de Desenho" para a sua autora, Maria Esther Maciel, no encerramento da mesa sobre literatura e cinema e de mostrar para Karina Rabinovitz, "Passaporte" uma versão do seu poema "Currículo. Lindíssimo o poema de Ângela Vilma em louvor a Cecília Meireles. 
Tive a chance de diminuir a minha fenomenal ignorância ao tomar conhecimento da existência literária de Marinyze Prates, Cristóvão Tezza (também estou lendo o seu "Um Erro Emocional"), Edvaldo Pereira Lima, Mariana Ianelli, Luis Pimentel, Cássia Lopes, Jorge Ramos, Ana Cecília de Souza Bastos, Luiz Roberto Guedes, Janaina Amado (desejo conhecer melhor a poética de Jacinta Passos), Rinaldo de Fernandes (de quem adquiri "Capitu Mandou Flores"), Aline D'Eça, Edvaldo Pereira Lima etc  E por falar em poetas desconhecidos, fiquei encantada com a proporcionalidade direta entre o conhecimento e a simplicidade de Jorge Araújo.


Em uma descontraída Tarde de Autógrafos, assisti Mônica Menezes e Carlos Barbosa serem entrevistados por Mayrant Gallo,  com uma grande participação dos presentes, entre os quais o ilustre professor Ubiratã Castro. Chegou, enfim o dia de comprar o "Beira de Rio, Correnteza", que, há tempos, estava em uma lista na minha agenda. Ouvi as minhas poesias preferidas ("Herança" e "Sonhos de Bailarina")  na sua voz doce e encabulada de sua autora.

Adorei inclusive o movimento dos trabalhadores que fecharam a Bienal no  domingo, antes do horário, numa manifestação de respeito pela sua força de trabalho. Na véspera, eu já tinha ouvido relatos de que eles estavam trabalhando muito além dos seus horários, sem remuneração adicional. A decisão lúcida de diminuir o valor do ingressos deve ter permitido uma maior participação do público.  Graças às promoções, adquiri livros que já tinha, só para dar de presente, como a excelente autobiografia de Jane Fonda. Para quem? Depois eu decido o nome da felizarda.   


Ainda assim, gulosa que sou, fiquei com desejo de quero mais não só pelas ausências de Fernando Moraes e do meu amigo Wesley Correia, mas também por não ter assistido as mesas "Jorge Amado e o Mundo" e "O Nordeste como Protagonista". Infelizmente também não pude ver Cleise Mendes, de cuja filha fui professora, Douglas Almeida, Everton Lima  e Nádia São Paulo, de quem havia acabado de ler um romance. 
Na hora da despedida,  vem o desejo que chegue a próxima 
Bienal...  e o que foi doce se torne achocolatado. 
QUEM VIVER, VERÁ!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

VALEU A VERTIGEM EM VÍDEO



Hoje descobri que já haviam sido divulgados os 10 vídeos que concorrerão aos três prêmios do concurso POESIA EM VÍDEO - FLIPORTO 2011. A nossa gravação do poema "Vertigem" feito para mim por Paulo Coqueiro, estava entre os 45 vídeos pré-selecionados. Como previ e vaticinei para alguns amigos que comentaram sobre os concorrentes, a qualidade dos 45 vídeos pré-selecionados era acima das minhas expectativas e portanto, seria quase impossível ficarmos entre os premiados e muito improvável que estivéssemos na lista dos 10 melhores.

De todo modo, fico feliz em ter participado do concurso. Estar entre os 45 vídeos pré-selecionados de um total de 210, representa ter superado os quase 80% deles. Para as escassas condições que tivemos (nos últimos dias, sem filmadora, microfone ou ilha de edição, com apenas um ensaio rápido e tendo o banheiro de casa como locação), devemos considerar a tentativa como quase vitoriosa e um incentivo a novas e mais cuidadosas investidas. Para quem quiser conferir, o nosso vídeo foi postado no youtube:

Acabo de assistir os 10 selecionados e reitero a minha preferência inicial pelo poema "Eu não escrevo versinhos para o papai" de Maíra Parula, inscrito por Eliane Garcia. A edição é muito cuidadosa, o poema é belo e visceral e a intérprete tem boa e clara dicção. Apenas faço a ressalva de que o final do poema merecia uma melhor entonação e destaque. 

Dentre os 10, não selecionaria dois deles:
 "Os Ossinhos no Bau"  - não consigo ver associação entre as imagens do vídeo e o texto;
 "Dentro e Fora" -  o poema é bonitinho e intimista, mas me parece simples demais para um
                                  projeto com esse;
"Ele nasce de um amor desconhecido" de Eliana Mora - embora o poema não seja ruim,
                                 o vídeo mostra apenas as imagens da leitura do poema.


Quero assistir com mais atenção os vídeos:
                                "O Carteiro e o Poeta" de Niti Merhej
                                 "Somos a cor e o som do português" de Victor Dreyer
                                 "Deixe passar" de Rui Werneck de Capistrano


Apreciei a edição de imagens do Poema "Ela amava as coisas, de Ricardo Sêco.

Por fim, se me fosse dado o direito de definir a classificação, ela seria a seguinte:


3o. LUGAR: Cátia Cunha e Silva
                       http://www.youtube.com/watch?v=2veJ5M2JD30 


2o. LUGAR: Lúcia Helena Ramos com "Penélope"
                       http://www.youtube.com/watch?v=KWTTfhZXuZ8

1o. LUGAR: Eliane Garcia com o poema "Eu não escrevo versinhos para o papai" 
                       http://www.youtube.com/watch?v=cHxT6X_4pls


FAÇAM COMO EU, ASSISTAM, VOTEM E COMENTEM!

sábado, 15 de outubro de 2011

MORAL DA MINHA HISTÓRIA - 02

COMEÇAR
Nos primórdios, as cordilheiras se confundiam com nimbos amontoados no sopé. Apesar da contra-lua solar oriental asfixiada, raios prateados se desbaratavam, desenhando um halo tênue em seus cabelos ondulados com a brisa matinal. Pouco se via de um riacho que arrastava pequenos seixos e bolhas translúcidas em volta dos seus tornozelos. (Somente eu apreciava essa grandeza épica, me esquivando entre o cascalho e o lodo, me abrindo pequenas frestas em meio à folhagem baixa e me perguntando obsessivamente, com as mãos úmidas de orvalho e medo, antes de acionar o mecânico gesto: "Será que ela me quer?")




PERMANECER
Uma luz clara e leve espalha uniformemente sobre sua pele uma suavidade plástica que me permite vê-la inteira. E o que poderia ser um sombra sutil sobre seus seios, coxas e olhos é preenchida por intermédio de um rebatedor circular que uso para difundir toda aquela luminosidade de volta. (Centenas de registros guardados em gavetas, na cabeceira da cama, em porta-retratos, em poeirentos classificadores no maleiro do guarda-roupa, em arquivos digitais espalhados em CDs e pen drivers são na verdade fragmentos de uma dúvida que nunca cessa: "Ela ainda me quer?")



MORAL DA HISTÓRIA: Quem disse que o melhor é comemorar 25 anos de casados? O fotógrafo é o mesmo e a técnica foi muito aprimorada. Mas o importante é que, aos 52, ainda continuo sendo a musa de suas lentes e textos! A nostalgia está de greve. Que viva o aqui e o agora!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

DE CANÇÕES E ENCONTRO DE PASSARINHOS




No início da noite de ontem, fizemos o tão esperado recital com poemas de Cecília Meireles e Mário Quintana. Esse foi, sem dúvida, o recital mas difícil de parir. Em meu movimento de reclusão, eu me sentia aconchegada no útero, sem disposição para entrar em contato com o mundo de ar lá fora.

Um dos motivos foram os desfalques ocorridos no grupo: Sarah foi para a França, Mara Vanessa sempre atarefada com viagens a trabalho, Silvana com problemas de saúde, Esther envolvida com as aulas etc. Pareço ser a pessoa que possui maior dificuldade com os afastamentos e perdas da Escola Lucinda de Poesia Viva – Salvador. Mantenho uma contabilidade rigorosa dos débitos e ainda lamento as saídas de Carlos Gregório, Fernanda, Juliana e Mazé. Parte disso deve-se ao fato de que sei da importância de cada membro no amálgama que representa o grupo. O outro e ainda perene motivo, é essa minha alma nostálgica, que luta em aceitar a vida como sucessão de surpreendentes e eternos movimentos. Sou aquela mulher que, às véspera de completar bodas de prata de um bom casamento, ainda sente a enorme falta dos primeiros anos de paixão avassaladora. Decididamente, a calma não é a minha marca registrada. O romantismo, a ânsia por intensidade e entusiasmo, o são.

Perdas e faltas à parte, o recital foi muito bonito. Daquele nosso jeito ainda desorganizado, mas extremamente natural e emocionalmente envolvido. Fazendo um esforço em me concentrar mais nos ganhos do que nas perdas, observo a boa energia trazida pelo novo componente, Luciano. Ele fala com emoção, tem um bom volume de voz e um senso de organização com o qual me identifico bastante. Pelo que vejo, irá ser muito importante em fazer ver ao grupo que podemos continuar sendo espontâneos, sem deixar de investir um pouco para que possemos melhorar a cada dia. Deixando claro que a organização não tirará a nossa essência de grupo aberto e meio anárquico. Ao contrário, ela irá potencializar o que temos de melhor: o prazer de estarmos juntos a comungar nosso amor à poesia. Agradeço a Heitor Guerra pela gentileza de nos assistir e fotografar (confiram álbum enviado por ele no link https://picasaweb.google.com/109252215954786997018/20111009?authkey=Gv1sRgCKG4oYy5xZPiYA&feat=email ) e a Thiago, a confecção do banner, programa e brindes. As presenças de Fátima Santa Rosa e Pedro, nossos irmãos da Cia Subversiva, foram bastante encorajadoras, embora tenha ficado registrada a falta de Inês, nossa acompanhante mais assídua. Mesmo convidada, Esther não se dispôs a apresentar uma de suas poesias, mas vê-la na platéia nos trouxe uma boa sensação de cumplicidade. Porém o destaque mesmo, foi Silvana, que não hesitou em apresentar, de improviso, mais um belíssimo poema de Cecília Meireles.

Silvana apresentando seu poema de Cecília.

O recital, o grupo e a vida continuarão. Nesse domingo, faremos nova apresentação às 18h na Saraiva do Shopping Iguatemi. De minha parte, reafirmo o prazer em ainda fazer parte dessa escola. E como disse Quintana, “(...) não me corte em fatias, ninguém consegue abraçar um pedaço. Me envolva todo em seu braço...". O que penso mudar, é o meu registro de caixa: quem sabe consigo passar a olhar mais a relação dos créditos do que a lista dos débitos? Decidi fazer coro aos anseios de disciplina e estética do novo integrante. Juntos, talvez venhamos a contagiar os demais...



Sem a presença de Mara Vanessa, fomos apenas 7.


domingo, 4 de setembro de 2011

ABRIGO NUCLEAR BOA NOVA


Consta que perguntado sobre como seria a 3ª. Guerra Mundial, Albert Einstein respondera: “Não sei como será a Terceira Guerra Mundial, mas poderei vos dizer como será a Quarta: com paus e pedras...”, compartilhando conosco a consciência que já possuía quanto ao potencial bélico criado pelo homem e a sua capacidade de destruição em massa. Vale lembrar que depois da morte do criador da Lei da Relatividade, o desenvolvimento dessas armas continuou acontecendo a um ritmo cada vez mais próximo da velocidade da luz. Para se ter uma ideia das novas armas, há um tipo de bomba H cujo poder de destruição é aproximadamente igual ao de 40 bombas de Hiroshima. É possível pesquisar alguns rankings sobre o poderio militar dos países, como o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz, que revelam serem os EUA o primeiro colocado da lista. O país gasta, sozinho, 1.531.000.000.000 de dólares ou quase tudo quanto os demais países aplicam no setor: 43% do total do mundo. Este montante é seis vezes mais do que a China gasta, seu mais próximo seguidor na obscura corrida. Infelizmente, o Brasil não fica no fim dessa vergonhosa lista. Segundo dados levantados pelo site Military Power Review, especializado em assuntos militares no mundo, o Brasil lidera o ranking do “Poder Militar” na América Latina. A despeito destes dados, e talvez tentando fugir dessas revelações, eu costumava dizer que, em caso de Terceira Guerra Mundial, me refugiaria em Boa Nova. Por mais que as pessoas rissem dessa minha declaração, eu mantinha a promessa de buscar abrigo na pequena cidade do sudoeste da Bahia, imaginando que lá isolada, no mínimo, ganharia algum tempo até que essas armas destruíssem todo o planeta.

Foi um choque assistir pela televisão a revelação de que Boa Nova está longe de ser um local pacato e seguro. A exemplo do que tem acontecido em várias cidades do interior da Bahia, no dia 29 de agosto, foi a vez de Boa Nova sofrer um grande episódio de violência. O 37º caso deste ano de assalto a banco desse tipo, no estado, se destacou pela intensidade e rapidez da ação. Em cerca de 15 minutos, depois de atear fogo em um caminhão para bloquear o acesso à BR116, homens encapuzados e fortemente armados entraram atirando na cidade com 2 carros, fizeram dois policiais e o gerente do banco de reféns e ainda puseram fogo em carros para obstruir a passagem da ponte sobre o Rio Uruba, dificultando a ação da polícia. Se, a 450km de distância, fiquei estarrecida com as cenas projetadas, imagino a sensação que elas causaram aos habitantes da cidade, cujo sentimento de insegurança foi possivelmente agravado após a passagem de um grande contingente de policiais seguidos por um helicóptero, que resultou em fracasso na captura de 11 dos 12 criminosos.

A consciência do absurdo aparato militar mundial com iminência de uso, a inevitável certeza de que não há lugar na terra onde possamos estar imunes à extrema violência e até a convivência com atos cotidianos violentos não devem, no entanto, ser o foco das lentes com as quais escolhemos enquadrar a nossa realidade. Nesse sentido, talvez possamos fazer um contraponto à tendência da mídia em geral de dar ênfase a notícias violentas (com programas em que, ao meio dia, o expectador é convidado a assistir a cenas sanguinolentas), através de um esforço em nos concentrar em aspectos positivos da realidade, na intenção de reverberar boas energias. Assim, vale a tentativa de valorizar os bons acontecimentos locais, associando Boa Nova, não ao assalto tão propalado, mas às suas manifestações culturais, ao redescobrimento do gravatazeiro e à criação do Parque Nacional, para que fiquem “guardados” na memória da população local e de seus visitantes, as notícias dadas com menor estardalhaço, repetição e intensidade.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

POÉTICAS DO POETINHA



Costumava dizer que Vinícius era o único machista de quem eu gostava. Quando ele morreu, um dos irmãos Caruso publicou na revista Veja uma caricatura em que o Poetinha aparecia com asas. Eu copiei em tamanho ampliado esse desenho, fiz um poster e o tive por muito tempo na parede do meu apartamento de solteira. Há uns dois anos, Poética II foi a primeira poesia que aprendi a falar. Agora estou estudando Poética I que é um poema mais conhecido de Vinícius. O que me motivou a fazê-lo, não foi apenas a sua beleza nem a necessidade de completar o conjunto, mas a vontade de seguir seus ensinamentos. Transcrevi abaixo as poesias e informo o link para quem quiser ouvi-las na voz do próprio autor:

POÉTICA I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.

POÉTICA

Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo:
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
- Entrai, irmãos meus!

http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/86547/

domingo, 31 de julho de 2011

MORAL DA MINHA HISTÓRIA - 01

Ontem era o seu aniversário, mas foi ela quem nos presenteou com os ingressos para a apresentação do grupo Limusine, na Varanda do SESI - Rio Vermelho. Eram 150 pessoas dançando e relembrando as músicas dos anos 60 e 70. A banda tem ótimos músicos, duas dançarinas e baking vocals super-performáticas e um casal de cantores (Diogo Lopes e Evelin Bechegger) que mantêm uma interação legal com o público. Aplausos para a nossa amiga Evelin! Foi uma grande surpresa descobrirmos que além de ótima atriz, ela canta bem. O show é divertido, teatralizado e tem figurino criativo. Quem se lembra do repertório de Wanderléa, Rita Pavone, Erasmo Carlos, Perla, Roberto Carlos, Leno e Lilian, Jane e Erondi, Sidney Magal e Marcio Greick, não pode perder!

Como eles vão continuar se apresentando aos sábados de agosto no mesmo local, faço um convite aos meus amigos de irmos ver o show juntos. Quem topa dançar um twist? É uma brasa, mora!

MORAL DA HISTÓRIA: Não tem exercício aeróbico melhor do que dançar, sentindo-se presente no próprio corpo.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

TRÊS EM TRÊS



Ontem, 17 de maio, fomos ao coquetel de abertura do I Salão de Fotografia, promovido pelo Salvador Foto Clube. A premiação ocorreu na CAIXA Cultural Salvador, quando também foi aberta a exposição para o público das 30 fotos selecionadas. Cada um dos mais de 100 participantes pôde enviar um número máximo de três fotografias para avaliação do juri. Todas as três fotografias enviadas por Paulo Coqueiro foram selecionadas para exibição, sendo duas delas condecoradas com Menção Honrosa.


A exposição na CAIXA Cultural Salvador, localizada na Av. Carlos Gomes, ficará até o dia 26 de junho, de terça a domingo, das 9h às 18h. Se você quiser conferir, dê um pulinho lá e envie-nos um comentário no site do POSITIVO ESTÚDIO www.positivoestudio.com.br

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mãe Sertaneja








Passei o dia das mães pensando sobre a necessidade e a possibilidade de existência de uma figura materna na vida das pessoas. Da falta que isso faz e da maravilha quando essa ligação é autêntica e insubstituível. Não consegui escrever nada, até que a pouco encontrei um trecho maravilho na voz de Riobaldo:

(...)Toda mãe vive de boa, mas cada uma cumpre sua paga prenda singular, que é a dela e dela, diversa bondade. E eu nunca tinha pensado nessa ordem. Para mim, minha mãe era a minha mãe, essas coisas. Agora, eu achava. A bondade especial de minha mãe tinha sido a de amor constando com a justiça, que eu menino precisava. E a de, mesmo no punir meus desmaseios, querer-bem às minhas alegrias. A lembrança dela me fantasiou, fraseou – só face dum momento – feito grandeza cantável, feito entre madrugar e manhecer.

Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa



quarta-feira, 20 de abril de 2011

É TARDE.



BRINCAR NA RUA
Carlos Drummond de Andrade

Tarde?
O dia dura menos que um dia.
O corpo ainda não parou de brincar
e já estão chamando da janela:
É tarde.

Ouço sempre este som: é tarde, tarde.
A noite chega de manhã?
Só existe a noite e seu sereno?


O mundo não é mais, depois das cinco?
É tarde.
A sombra me proíbe.
Amanhã, mesma coisa.
Sempre tarde antes de ser tarde.

sábado, 2 de abril de 2011

AU REVOIR!



PASSAPORTE*

meu nome o livro já fala: é Sarah

meu endereço é aqui ou ali,

Salvador, Equador ou Paris. Nunca para

meu cadastro de pessoa física este corpo

que por dentro é fogo, nuvem e vento

meu registro geral foi registrado em verso.

Desde o meu nascimento,

numa cidade com nome de Feira,

nutro certo encantamento

por tudo que une e não sabe ser disperso.

meu telefone estará liberado

não há passarinho, nem ninho que reste

mas pra falar comigo ou Nelson

sem esvaziar o bolso, não é complicado

só pelas redes sociais, use a internet!

minha formação profissional

segue um caminho itinerante

já que acredito na beleza do instante

minhas atividades atuais

aproveitar as chances da vida

em uma corrida sem fim pra aqui e acolá

encontrar saídas

descobrir entradas,

para essa vontade desmedida

de aprender, de sonhar

por fim, minhas referências pessoais

é melhor que eu não diga

ou que se pergunte a alguém

que me ame demais...

Na saudade, elas são sempre geniais

mais verdadeiro

é que se descubra,

sozinho, consigo

na ausência do meu baiano tempero

da minha louca ternura

do meu eterno desassossego

Alors, eu já posso partir?

E aí? Garantem esperar, pour moi?


* (Versão do poema Currículo de Karina Rabinovitz)

segunda-feira, 14 de março de 2011

VIVA A POESIA, NA BAHIA!


Ontem houve o lançamento de duas Antologias organizadas pelo poeta Goulart Gomes para o qual o nosso grupo foi convidado a falar poesia, no dia a ela dedicado. Aguardando os vários autores, a apresentação começou bem mais tarde do horário previsto. O ambiente era descontraído, mas não nos concentramos como de hábito e cometemos alguns erros. Sempre me aborreço quando acontecem e lembro que costumava falar aos meus alunos "Errar o que não sabe, tudo bem. Mas preste atenção para não errar o que sabe". O fato é que eu esqueci as primeiras palavras da poesia CREDO, que já apresentei várias vezes. Pedi socorro a Eurídice que a fala comigo e às outras colegas que conhecem seus versos e ninguém pôde sussurrar as palavras "DE TAL MODO É ".

No entanto, pela reação dos presentes parece que pusemos em prática o lema de "falar poesia sem ser chato", como preconiza a Escola Lucinda de Poesia Viva. No repertório, poemas de Adélia Prado, Álvaro de Campos, José Carlos Capinam, Cecília Meireles, Damário DaCruz, Elisa Lucinda, Karina Rabinovits, Rui Espinheira Filho e Waly Salomão. Para homenagear o aniversariante do dia 14, Castro Alves, finalizamos com o "Mocidade e Morte" apresentado com a peculiar emoção de Mara Vanessa. Destaques ainda para o Currículum de Sarah, o Desenho do quintal de infância de Silvana e para a intimidade relaxada de Jina no Elevador do Filho de Deus.

Surpeendentemente, um dos autores foi colega na Sociedade Brasileira de Educação Matemática. Assim, além dele, revi uma ex-colega de pensionato, um ex-professora da Matemática da UFBA e uma ex-colega de trabalho.

Houve lançamento em São Paulo e foi comentário geral de como havia sido mais informal e agradável o mesmo evento na Bahia. De nossa parte, é inegável o prazer que tivemos não só pela crescente empatia firmada em cada encontro, como pela satisfação de falar os versos que escolhemos por uma identidade enigmática de sentidos.

Falei com Vicente Cariri que o poema "Deus é Mulher" é o meu preferido de "Alma Assoreada". Mais tarde, pude enfim, conversar com Ronaldo Jacobina sobre o seu belo livro "Conversa para Ninar Cecília e Canções para Acordar Gente Grande" que eu tanto procurara quando estávamos ensaiando o recital com poemas de Cecília Meireles e Mário Quintana. Fechando o rol de surpresas, já em casa, ao folhear o "Poetrix 4 - Terra", fui compelida a escrever:

MUNDINHO*

dentro do livro,
poemas de Lilian Maial
novo encontro genial!

VISITA*

o sobrenome é MAIAL
e o livro foi porta
pra amiga virtual!

LILIAN*

dentro do livro,
nada mais presencial
poemas de amiga virtual!

*(Será que fiz um Poetrix?)