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sábado, 31 de agosto de 2013

SER CLARICE OU SER LÉA - EIS A QUESTÃO



                                                             http://www.almaimoral.com/

Refletir se você quer ser justo ou bom, se deseja manter a tradição ou rompê-la através da traição, se prefere viver aprisionado na moral do corpo ou perseguir os desígnios imorais da sua alma é uma consequência natural de quem assiste ao espetáculo A ALMA IMORAL, baseado no livro de Nilton Bonder e interpretado por Clarice Niskier. 

Sobre a nova temporada do espetáculo em Salvador:

http://www.bahianoticias.com.br/cultura/noticia/15542-monologo-039-a-alma-imoral-039-faz-curta-temporada-na-caixa-cultural-salvador.html

Tendo ido, ontem, ver esse monólogo na Caixa Cultural, fui motivada a fazer, com a ajuda imprescindível do amigo Arnaldo Menezes, a gravação do poema abaixo: 


AVISO À PRAÇA de Antônio Risério




A saída aponta por decidir-se ser humano no sentido mais elevado da palavra e seguir em movimento caminhando, enquanto os caminho se abrem! 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O BRASIIIIIIL CONHECE O BRAAAASIL?



http://www.youtube.com/watch?v=bkENNwwCqgM   Elis Regina cantava que O BRAZIL NÃO CONHECE O BRASIL. A pergunta que proponho é: O BRASIIIIIL CONHECE O BRAAAASIL?

O Sete morava com sua gente num velho rancho meio desmantelado, entre Navegantes e São João. No seu aspecto encolhido e raquítico, nas suas tábuas carcomidas e no seu ar úmido, apagado e encardido - o casebre parecia-se muito com as quatro pessoas que habitavam nele. O chão era de terra batida. Nas paredes, remendos de lata. O mobiliário, que sempre fora pouco e pobre, achava-se agora, desfalcado, porque muita coisa havia sido arrastada pelas águas, durante a última enchente. Naquelas duas peças de paredes enegrecidas de picumã, havia um permanente bodum - cheiro de suor muitas vezes dormido, de roupas sujas e molhadas, misturadas com ranço de comida e de sebo frio. Durante a noite - principalmente no inverno - os os moradores da casa pontilhavam as horas com suas tosses secas, num concerto com os sapos do banhado vizinho. Havia em todas aquelas caras uma expressão angulosa e sombria de fome crônica, duma fome que nunca se saciava por completo; e naqueles olhos morava um certo brilho quase opaco, que era a um tempo de febre, de desconfiança e de embrutecido espanto. 
(trecho do livro introdutório do capítulo de título Chá Amargo do romance O RESTO É SILÊNCIO de Érico Veríssimo)

Ontem, fui ofendida publicamente porque ousei informar a uma mulher negra, pobre e grávida que ela tinha direito a atendimento especial na fila do SAC - Serviço de Atendimento ao Cidadão. Um sujeito de tamanho enorme, que estava na sua frente, esparramado e se apoiando na coluna metálica da fila, persistiu indiferente ao pedido de licença da jovem para que lhe desse passagem. Depois dela ter repetido o pedido, ele praguejou dizendo que ela deveria contornar a sua figura e que não o tinha feito porque se tratava de uma preguiçosa! Espantada com a cena, eu me virei para um rapaz ao meu lado e desabafei: que falta de civilidade! Ele começou me respondendo e insistindo em que a moça era preguiçosa e terminou me chamando de vagaba, cadela e histérica conforme a minha voz e reação de indignação iam aumentado. Como a gerência do SAC  apenas se manifestasse para me fazer calar... terminei exigindo uma viatura, fui destratada pelo policial e ficamos, propositalmente, como de pronto declarou o atendente da delegacia, esperando por 4 horas para registar uma queixa contra esse senhor. Devo dizer que ele contou com o relato de um dos 3 policias em sua defesa e saiu antes de nós 5 da delegacia! Éramos eu, a moça grávida, sua irmã e seu vizinho - dos 3, apenas a sua irmã está trabalhando. Aquele era o seu dia de folga e elas tinham saído para, dentre outras coisas, ajudar o vizinho a regularizar o seu CPF. A quinta pessoa foi o meu marido que havia sido acionado por mim depois da atitude dos policiais. Gastei o dinheiro que tinha na bolsa com um lanche depois de passada a hora do almoço e, no final, descobri que eles tinham ido a pé para o SAC, haviam perdido o horário do banco e não tinham dinheiro em mãos para pagar as passagens de volta para casa. Além disso, a garota chamada de preguiçosa, fez questão de ir ao shopping para comprar o presente prometido para a sua filha, cujo nome estava tatuado em letras garrafais no seu braço esquerdo ADRIELLE. Como só pude dar o valor de uma passagem e eles tinham crédito no cartão para apenas mais uma, fiquei preocupada. Eles me tranquilizaram que tirariam dinheiro do cartão para garantir o retorno para casa. Por volta das 22h, no entanto, a tia das garotas me telefonou para agradecer e obter notícias porque até aquele momento elas não haviam chegado em casa. Eis a síntese da história entrando nos detalhes que mais importam: a visão de perto do machismo e abuso de poder dentro do mundo policial, dos flagrantes de roubo, de venda de drogas e de duas mães: uma  ajudando seu filho a prestar a queixa enquanto a outra pedia pela sorte do filho jovem delinquente que o abordara na porta da escola. Eu, me achando esperta, percebi que os 3 jovens estavam bem mais preparados para fazer as leituras sobre a forma como se portavam os policiais, oficiais e delegado. A título de exemplificação,  segue o link de imagens com uma mulher sendo agredida fisicamente por segurança do SAC:  https://www.youtube.com/watch?v=4YFMjz8QF2Q

Tenho me perguntado porque tudo isso aconteceu comigo. Em que ponto eu me permiti viver o ocorrido e mudar totalmente a uma rotina que incluiria receber a minha nova carteira de identidade, almoçar em casa, fazer terapia em um grupo de mulheres, ter atendimento individual, encontrar com amigas queridas para um chá no final da tarde, assistir a projeção das fotos do meu marido no projeto OLHOS DE RUA e apanhar um amigo de São Paulo que veio passar uns dias conosco?Qual o limite entre o exercício da própria cidadania e o sentimento de solidariedade e, do outro lado, a capacidade de nos defender frente às atrocidades diárias que vivemos? Qual seria o meio termo, a decisão mais sensata a tomar para que eu não fosse conivente com o desrespeito a uma mulher como eu, mas que não resultasse em ser também agredida e desmantelar um dia que parecia propício a muitas atividades agradáveis e fortalecedoras do meu eu? 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A CANTORA, AS CANÇÕES E SEUS AMORES.

     

      Nesse domingo, no nosso ensaio semanal, eu dei uma declaração bombástica: Olha, vocês aproveitem bem a minha presença, porque eu sinto lhes informar que a poesia é só um trampolim para eu virar cantora. Podem tirar a lasquinha de vocês, pois estou próxima a dar o salto!
       Foi uma euforia e gargalhada geral, logo superada por declarações semelhantes: uma ia ser comediante, tipo o Chico Anísio de saias, outra está se preparando para estrear como palhaça no circo do Capão e a terceira ainda em dúvida se seria uma diva, uma top model ou uma bailarina. Os homens do grupo só rindo e aplaudindo... 
      Há algum tempo tenho assumido o bordão da poesia ACEITAÇÃO de Cecília Meireles, na qual diz: NÃO TENHO INVEJA ÀS CIGARRAS, TAMBÉM VOU MORRER DE CANTAR! 
     Enquanto não coloco a minha cigarra interior para fora da forma mais exata, vou rememorando que, assim como as da maioria das pessoas, a minha história amorosa foi crivada de trilhas sonoras. Para cada novo amor, ao menos uma música a ele associada. Na incapacidade de enumerar todas elas, eu escolhi dez que são descritas e cujos links estão associados. Vejamos as top 10:

1. If de Bread: http://letras.mus.br/bread/5759/
Éramos várias colegas de escola e nos reuníamos para fazer versões das nossas músicas preferidas especialmente dedicadas aos amores do momento. O meu, devo dizer, que foi totalmente platônico,  já sobre os das outras meninas, nada posso afirmar...

2. Detalhes de Roberto Carlos: http://letras.mus.br/roberto-carlos/6971/
Mais uma música a embalar um amor platônico e à primeira vista, que começou em um veraneio na ilha de Itaparica e se manteve no plano das ideias por alguns anos;

3. I love to love com Tina Charles: http://www.youtube.com/watch?v=5e1Ti6-DKDk
  Essa marcou a noite em que aconteceu o meu primeiro beijo... era uma festa de 15 anos, eu carregava uma flor na mão e vestia lilás... impossível esquecer;

4.Neném do grupo Boca Livre:  http://letras.mus.br/boca-livre/83163/
A partir de um certo tempo, a exigência aumenta e o pretendente precisa ser o próprio músico. Nesse caso ele era um amigo de infância que tocava  piano ou violão;

5. Mel com Maria Bethânia: http://www.youtube.com/watch?v=rVXYME0GdDg
Nesse ponto da história, houve uma pausa para quem só admirava a música, mas não tinha talento musical. Significou um tropeço ou uma concessão?

6. Eu sei que vou te amar de Vinícius: http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/49269/#
Pôde ser alguém que tocava flauta e negava não só o próprio machismo como o de Vinícius de Moraes (este sim, o único machista que admirei, cujo centenário tem sido esquecido...);

7. O Amor Quando Acontece de João Bosco: http://letras.mus.br/joao-bosco/46532/   e
Desenho de Giz do mesmo álbum: http://letras.mus.br/joao-bosco/46514/
Aqui é quase um álbum inteiro e não apenas uma das músicas de João Bosco. Assim, eu acrescentei à lista duas que compõem o mesmo disco em vinil. Desenho de giz é a menos conhecida delas, embora o seu refrão tenha ficado mais forte na minha memória;

8. Amelinha: http://www.youtube.com/watch?v=7ALsajBUDBw
Nesse caso, só porque eu odiava a música, fui pirraçada não só ganhando o disco, como o apelido de Amelinha. Oh, raiva danada!

9. A penúltima música poderia ter sido de Francis Hime e Chico Buarque:
 http://www.youtube.com/watch?v=83mvyL2e6qw . No entanto, não houve um música especial, só uma noite de forró dançado meio fora do ritmo... Aliás, eu não devolvi o Neruda, porque não o temei, ele o deu pra mim.

10. Bossa do Bayard de Dulce Quental: http://letras.mus.br/dulce-quental/149122/
Essa eu passei a cantar para ele. Como Dulce Quental fez a música perfeita para descrevê-lo, eu jamais saberei explicar. É uma canção pouco conhecida, mas eu a tenho em vinil, em cd gravado do próprio bolachão e uns dois cds nos quais o disco délica foi relançado bem mais tarde. Por quê? Porque trata-se do definitivo amor... do que escolhi para ter ao meu lado, para gerar um casal de filhos, ver chegarem os cabelos brancos, segurar as barras dos momentos mais tristes e comemorar, com alegria renovada, cada uma das vezes em que eles vão embora!

ELE É CHEIO DE POESIA
CALÇAS SUJAS DE TINTA
PINTANDO FORA DA TELA
VIVENDO O PRÓPRIO POEMA

SEU SEXO É UM PINCEL
IMPRESSIONANDO MULHERES
COM TOQUES CLAROS E LEVES
COLORE LÁBIOS E PELES

NUMA GARRAFA DE WHISKY
IMAGINOU UM CAVALO
SOLTO, NO ESPAÇO
VEIO CAIR EM MEUS BRAÇOS

SEU ÚNICO E ÚLTIMO QUADRO
PINTOU COM A VIDA INTEIRA
LINHAS E TRILHAS VERMELHAS
ELE É O PRÓPRIO POEMA

ELE É O PRÓPRIO POEMA
ELE É O PRÓPRIO POEMA
ELE É O PRÓPRIO...