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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

RESPONSABILIDADE LINGUÍSTICA



      Ontem um vizinho pediu a minha opinião sobre a forma como Roberto Carlos pronunciava algumas palavras em suas canções. Como exemplo ele citou "que" e "desejo" e  as quais ele pronunciava, respectivamente, as vogais finais como os fonemas [i] e [u]. Eu quis contra-argumentar chamando a atenção para o fato de se tratar de uma obra de arte, portanto, onde se dá a licença poética, mas preferi falar de variantes linguísticas. Se as músicas eram populares, sua forma de pronunciar as palavras não deveria ser estranha ao público ao qual sse dirigiam. Acrescentei que, especialmente em um país grande como o nosso, é plenamente justificável que haja várias formas de se expressar uma mesma palavra e não ser recriminado por isso. Sem querer me estender demais, salientei que a exigência na forma falada da língua é muito menor do que na escrita.


      Foi então que me lembrei do meu estranhamento e até revolta quando vejo anúncios com incorreções gramaticais. Aí sim eu fico revoltada, porque quem difunde uma mensagem escrita em cartazes, panfletos, "busdoors" ou "outdoors", sabe que o faz para um grande público e deveria ter responsabilidade em não cristalizar incorreções em um povo, em sua maioria, sem acesso a uma educação de qualidade. Ao meu ver, deveria haver uma lei que multasse as empresas que afixassem essas peças publicitárias com erros gramaticais, fossem eles de grafia, de concordância ou de qualquer outra espécie. A existência de um revisor seria obrigatória para garantir que essas desinformações não fossem propaladas aos quatro cantos. Não sou purista da língua, mas acredito que deve haver um cuidado com esse que é um patrimônio de um povo e faz parte de sua identidade, permite que seus membros se comuniquem e tenham a sensação de pertencimento, Afinal, corrigir o que se aprende erradamente requer muito mais esforço do que aprender a forma mais correta. Na verdade, não há uma forma "erradas" ou "certas" de se falar ou escrever, mas uma enorme gama de possibilidades que devem se adequar aos que fazem os enunciados e às situações linguísticas, mas considero que em certos casos, é necessário que se tenha o propósito educativo de se aproximar mais das formas mais aceitas pela norma culta. Enquanto escrevo, sinto falta de quem revise o meu texto, penso no quanto aprenderia se tivesse essa possibilidade e me lembro de algumas amigas que seriam capazes de melhorá-lo como as Cristinas Gaião e Cunha. No entanto, eu o faço para satisfazer a minha necessidade pessoal de expressão, em um meio informal e me dirijo a um grupo muito restrito de pessoas. Eis aqui o meu álibi.