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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

EU VOU PRA MARACANGÁIA E NÃO VOU SOR!








           Eu vou pra Maracangalha (FLICA), eu vou. Eu vou de chapéu de palha (nordestino) eu vou, eu vou visitar a Anália (Gal Dacruz) eu vou..,Eu vou com essa pele e raízes que não renego, mas eu vou.. Eu vou, pq Iansã me mandou e Oxossi me protege,,, eu vou! Se Anália Rosa, não quiser ir eu vou só, não vou só que Andrea Tourinho topou. Eu vou só, eu vou só NÃO sou Amélia, EU VOU!

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AGUARDEM A RESENHA
EU VOU FAZER, EU VOU!

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

DE UMA MULHER QUE AMA MUITOS HOMENS




Há 12 anos,  os TRABALHADORES desse país exaurem suas energias com menos pressão, porque existem esperanças em suas vidas com os programas de bolsas família, desemprego e tudo mais. Mas, há exatos 12 anos,  quem paga as contas somos nós: classe média - como eu - os assalariados já descontados, no contracheque, arrochados desde FHC.  QUEM PAGA É VC E EU! E AINDA QUEREM NOS FAZER ENGOLIR ESTATÍSTICAS DE QUE SOMOS IGUAIS - DE QUE OS POBRES, TB SÃO CLASSE MÉDIA! ELES NÃO ASCENDERAM À CLASSE MEDIA... NÓS É QUE ESTAMOS DESCENDO LADEIRA ABAIXO EM DIREÇÃO À POBREZA! SENÃO À  MISÉRIA, ENQUANTO A CLASSE "AAA' CONTINUA ASSISTINDO TUDO EM SEUS JATINHOS PARTICULARES, PREOCUPADA COM A POSSIBILIDADE DE NÃO AUMENTAREM SEUS LUCROS ATÉ A ESTRATOSFERA... JÁ SEREM OS MAIORES LUCROS E JUROS DO PAÍS LHES PARECE MUITO POUCO!
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EM ESPECIAL, SOFREM OS PROFESSORAS COMO EU (AS EDUCADORAS QUE FICARAM MUDAS NA DITADURA DO PODER, DEPOIS QUE APANHARAM DA POLÍCIA DO PARTIDO DOS "TRABALHADORES",  ENQUANTO PAULO FREIRE SE REVIRA EM SEU TÚMULO, PORQUE É EM SEU NOME, QUE INSTAURAM A CLASSE MÉDIA DA REALEZA BURGUESA DOS DIRIGENTES. E NUMA FILOSOFIA BASEADA EM NOME DE MARX E ENGELS?  FAZEM HORRORES CITANDO O MAIOR EDUCADOR QUE JÁ HOUVE NESSE PAÍS, ELOGIANDO OS ALTOS E BAIXO DO MELHOR JUIZ PERFORMÁTICO QUE JÁ HOUVE NA HISTÓRIA DESSE PAÍS! LENDO AS TEORIAS DO MAIOR GEÓGRAFO INTENACIONALMENTE CONHECIDO: MILTON (QUE ORGULHO DO MEU PAI TER SIDO SEU HOMÔNIMO) SANTOS...
http://www.brasilescola.com/geografia/milton-santo
http://corujasapiens.wordpress.com/2013/02/01/milton-santos-globalizacao-parte-1/

AGORA, VC, QUE VIVE TODAS AS CONTRADIÇÕES DO CAOS HISTÓRICO, SOCIAL, INDIVIDUAL E DA NATUREZA, PROCURE UMA ORDEM QUE TE GUIE.. SE CONHECE O CONCEITO DE DIALÉTICA, VÁ LÁ CONSEGUIR, OU SÓ TENTAR, FAZER UMA SÍNTESE!  EU ESTOU CÁ BUSCANDO UMA COM OS BOTÕES SOBRE O MEU PEITO E OS POUCOS NEURÔNIOS QUE AINDA ME RESTAM... TENTO OUVIR OS BATICUNS DA MINHA INTUIÇÃO,  OUVI-LA, AUSCUTÁ-LA.  E EU AGRADEÇO A DEUS POR ISSO!  SIM, A DEUS, PORQUE TODOS OS GRANDES MESTRES, SANTOS, FILÓSOFOS, GÊNIOS E CIENTISTAS DA HUMANIDADE O BUSCAVAM EM SEUS ESTUDOS E PRÁTICA (VC LEU O "TAO DA FÍSICA"?)... INFELIZMENTE, QUANDO FALARAM SOBRE ELES, OS PASSARAM AOS LIVROS DIDÁTICOS COMO SUPERHOMENS, QUE NUNCA ERRARAM... AO CONTRÁRIO DE VC E EU! QUER SABER? LEIA A REALIDADE, LEIA A SUA VIDA, LEIA AS SUAS RELAÇÕES FAMILIARES, LEIA A SUA HISTÓRIA, SUA TRAJETÓRIA, LEIA SUA ÁRVORE GENEALÓGICA, VÁ AO FUNDO DE SUAS RAÍZES, ENCARE AS SUAS MAZELAS E APRENDA COMO OS SEUS MAIORES ERROS... EU ESTOU TENTANDO. E A MINHA SÍNTESE, MUITO MENOS POÉTICA DO QUE A DE VINÍCIUS...

... É DE QUE ESTOU VIVA, QUE A VIDA CONTINUA NO BRASIL E NO MUNDO, SOU OBRIGADA A EXERCER A MINHA CIDADANIA DO JEITO EM QUE ACREDITO A CADA DIA, SEMPRE MUDANDO NA DIREÇÃO, INTENSIDADE E SENTIDO DO VENTO QUE ME TOCA OS CABELOS E FACE. ESTOU, INCESSANTEMENTE, CAINDO E LEVANTANDO,  BUSCANDO SER FELIZ NESSE MELHOR MOMENTO QUE É O AQUI E O AGORA... O FUTURO? SERÁ APENAS A CONSEQUÊNCIA DE QUEM O FIZER, PARA QUEM O VIR, DE QUEM ESTIVER PRESENTE, DE QUEM AINDA NÃO TIVE SIDO LEVADO PELA SENHORA DA FOICE, DAQUELES QUE NÃO EMBARCAREM SOBRE O RIO GUIADOS POR CARONTE RUMO AO MUNDO DE HADES, PARA O OUTRO REINO, ONDE TUDO É MAIS MISTÉRIO DO QUE A SUA CONTRAPARTE: A PRÓPRIA VIDA!


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

TÃO DIVERSAS E, AO MESMO TEMPO, PRIMAS ENTRE SI!


NARCISO DEIXA TURVO O ESPELHO, ONDE NÃO SE MIRA

(TÃO DIVERSAS E, AO MESMO TEMPO, PLUMAS ENTRE SI!)





        Eu era a aluna mais nova de uma turma só de mulheres em um colégio de freiras. Não me destacava nos esportes, nas notas, nem nas artes, o que me fazia ficar muito quieta, observando as colegas mais velhas, que já possuíam seios e namorados. Coisas que me pareciam ainda muito distantes da minha realidade de menina bem comportada. Eram muitas colegas e duas turmas desde a 5a. série até a 8a. Não lembro de todas, confundo as qualidades... e, possivelmente, os defeitos também, minha memória apagou muitas lembranças tristes desse tempo. A austeridade e negação do prazer impostos pelas freiras católicas eram, para mim, um prolongamento do ambiente familiar claustrofóbico. Quanto às freiras, mantínhamos uma curiosidade danada sobre o que eram, de verdade, sobre o que havia em seus corações disfarçados em hábitos. A escola era das irmãs Sacramentinas, vulgo Asilo. Que sugestivo nome me parece! Um monte de garotas em plena puberdade sob a vigilância de freiras, sem contato com meninos, obrigadas a rezar, cantar o hino da França e a usar uniformes com saias plissadas, blusas brancas com de mangas curtas - nada de mangas compridas - embora estivéssemos morando na Princesa do Sertão em salas com basculhantes e muros altos e ainda portando um pequeno escudo de ferro na lapela. Não lembro quantas éramos... temos tentado, há cerca de um mês, avivar coletivamente as nossas memórias, através de publicações em grupos no facebook e no whatsapp. Nesse universo, pouco conhecemos das colegas da época e muito menos sabemos, depois de passados 40 anos. Em em quem se tornaram como fruto das diferentes opções de vida que fizeram e pelas quais tiveram que se responsabilizar em seus aspectos positivos e negativos. Entre todas, a vida seguia e segue com seus aspectos duais e complementares.

       O fato é que algumas delas passavam por nossas vidas nos despertando irritação, enquanto outras fisgavam o   nosso olhar. Da minha sala, trago vivas várias imagens e emoções envoltas em um véu turvo e sinuoso como é esse fenômeno ou abstração. Sinto agora que memória e coração também sofrem efeito das forças newtonianas e antagônicas de repulsa e atração. Enquanto algumas faziam vir à tona toda a minha raiva contida, havia outras que me despertavam grande admiração. Esses sentimentos não se deram por um mero acaso, mas possivelmente por sincronicidade que se justificam pela declaração de C. G. Jung: “Percebemos nos outros as outras mil facetas de nós mesmos.” A ideia de que observamos no outro aspectos de nós mesmos pode ser compreendida de um modo positivo ou negativo.  Na vida adulta é mais fácil aproveitar esses aspectos como oportunidades enriquecedoras de nos conhecermos mais profundamente, mas quando isso se dá na adolescência, época em que a busca por identidade é tormentosa e exaustiva, essa frase não parece fazer sentido algum. É preciso maturidade para disciplinar o olhar para que ele veja além da aparência e não se esconda apenas turvando a água em que se mira. 

      Williane era um dos meus desafetos e a mútua aversão se transformou completamente, quando fui obrigada a morar com ela. Ela parecia só se interessar por estudar, era muito seletiva ou tímida e extremamente determinada, enfim, a filha que minha mãe queria, ou dizia querer ter. Para piorar a nossa animosidade, morávamos na mesma rua e ainda aprendíamos piano com as mesmas professoras! Sentia nela uma competitividade que me dava ódio. Nós nos tornamos grandes amigas, ao descobrir que a nossa animosidade não era uma emoção natural, mas fruto de uma exaustiva comparação estabelecida entre nós. Melhor, ao me aproximar dela, descubro que sua mãe tem temperamento parecido com o meu. Outro fato a ser analisado, penso eu. Certamente nos sentimos mais livres e felizes longe de expectativas alheias e quando permitimos nos ver com os nossos próprios olhares. Por atração que gera atração ou vice-versa, nossos filhos foram colegas, se tornaram amigos e estão cursando Engenharia na UNIFACS. Assim, todos saímos ganhando com o resultado da equação, ao provarmos que a energia do universo não é limitada, mas de expansão amorosa, por mais difícil que nos pareça senti-la. 

    Chamava-se Mariângela, a garota que me despertava a maior admiração: ela já tinha um corpo de mulher, parecia segura e demonstrava um espírito de liderança nato. Jamais esqueci do dia em que a professora de Português, a freira mais temida por todas nós, nos desafiou a escrever a biografia de uma colega. Tive dificuldades em escolher alguém e terminei escrevendo sobre a garota que havia feito a minha biografia. Era por gratidão que eu o fazia. Quando Mariângela teve a coragem de perguntar à Irmã Maria do Carmo, se poderia escrever sobre si mesma, passei a ser sua fã, embora confesse que menos pela autenticidade do que pelo destemor. Não havia dúvidas, eu queria ser como ela! Embora eu não manifestasse nenhuma das qualidades observadas nela, mais tarde precisei exercitá-las exaustivamente.  Talvez esses atributos estivessem latentes em mim, buscando um momento ideal para se manifestarem, como aquela gota que faz derramar um jorro d'água de um copo já cansado de ocultar seu conteúdo.  Não nos vimos por muitos anos e hoje, depois que muitas cachoeiras rolaram  pelos cursos dos rios de nossas vidas, ao retomamos contato, depois de 4 décadas, foi justamente a minha franqueza que me permitiu lhe revelar essa oculta atração. Na juventude, esse segredo revelado poderia inflar o seu ego. Ao contrário, ela me pede que eu escreva sobre isso para mostrar às suas filhas e eu o faço com a certeza de que a atual amorosidade, é capaz de superar qualquer sentimento de disputa ou inveja. 

        Eis aí o relato de observações muito pessoais que buscam entender os estudos da psicologia analítica: a água da roda do tempo, se vivido verdadeiramente, é o elemento capaz de nos limpar de todos os males. Parabéns às mulheres, às Psiquês que, ao contrário dos Narcisos, são capazes de se mirar nos espelhos das águas do tempo e de nelas mergulhar, emergir e aguardar que
suas mandalas tranquilas e silenciosamente se formem e possam, enfim, se encarar de frente. Para que fiquem felizes ao ver suas caras internas de pássaros sem asas a voar unidas, através das nuvens e tempestades, em direção às cordilheiras de suas essências divinais.



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

EU MEREÇO, NÓS MERECEMOS ou (inútil, a gente semos inútil!


Nós, professores brasileiros merecemos festejar oS diaS deCOMO  hoje, apesar de todas as dores que implica ser professor nesse país, no qual a saúde será sempre melhorada, depois de recolhidas as CPMF e afins, onde a educação sempre será priorizada, depois de recolhidos os royalties do pré-sal, em tempos de graves denúncias na Petrobrás. E assim se vai perpetuando a ignorância - não a burrice (que fique bem claro) do povo do nosso país. Eles, NÓS, em cuja constituição lhe são atribuídos direitos negados secularmente e ainda não se cansam de ter a esperança em um Brasil melhor e vão elegendo políticos que lhes prometem o que pretendem, antecipada e deliberadamente lhes negar. Do mesmo modo como ignoram a capacidade, dos incansáveis trabalhadores brasileiros, dessa brava gente que resiste e ainda busca comida em lixeiras e carrega carroças como burros de carga pelas ruas das capitais e andam pendurados em ônibus lotados e sub-humanos depois do emprego e da mobilidade prometidos na copa. Enfim, que desperdiçam criatividade e talento nas filas dos bancos mais lucrativos do mundo e morre em corredores de hospitais, onde faltam médicos, equipamentos e esparadrapos.

Finalmente, gostaria de lembrar que a maioria de nós, dos professores de carteirinha e de verdade, dos formados para isso, é comprometida com o que faz. Ao contrário dos OUTROS PROFISSIONAIS - ESPECIALMENTE DAQUELES DE COLARINHOS BRANCOS - que ganham mais, sugando sempre maiores privilégios e ganhos financeiros extraídos dos nossos minguados salários. Que fique muito claro que não foram ser professores aqueles que eram incapazes de passar em outros vestibulares mais competitivos (eu abandonei um curso de Arquitetura para ensinar Matemática e depois ainda quis estudar Letras e fIz dois cursos de Pós-Graduação UFPE/CEFET/UNICAMP. Gostar de estudar, é condição sine qua non para exercer essa digna profissão, que está longe de ser uma espécie de sacerdócio OU MISSÃO, embora essa atividade tenha sido inaugurada em nossas terras por padres Jesuíta. Esses muitas vezes escolheram SEUS futuros por falta de escolha e não por vocação para a batina ou para o magistério, Vale reforçar também que conhecer o conteúdo de uma disciplina é condição necessária, mas jamais suficiente para ensiná-la. Quem nasceu ou decidiu escolher essa profissão, como bem disse,  professora doutora Norma Oliveira, é educador 24 horas por dia (ainda ontem, meu filho reclamava porque, eu me atrasei em uma loja dando conselhos à funcionária do caixa de que, teclasse 100 ou 1 vez no botão da máquina de cartões de créditos, a máquina funcionaria em igual tempo. A diferença é que ela, a funcionária, estaria provocando uma possível  LER nesse dedo que usava centenas de vezes em cada atividade da sua longa jornada de trabalho.)! Ouvimos já tantas vezes que, não salvaremos o mundo com educação, mas jamais o faremos sem ela. já dizia aquele que mais lutou por uma educação emancipadora, libertadora e amorosa. Escutamos a mensagem dele? Prestem atenção, professores, a educação é batata em se considerando os seus dividendos. QUEM PENSA QUE A EDUCAÇÃO É CARA, CALCULE OS CUSTOS DA FALTA DELA!  Não somos arrogantes como a maioria dos profissionais formados em outras profissões, mas aceitamos que nos digam que somos MENOS, de que merecemos condições e salários piores. Enfim, esquecemos, repetidas vezes, do valor DO GRANDE VALOR QUE TEMOS E DEVE SER LEMBRADOS EM TODOS OS DIAS DA SEMANA, DE SEGUNDA A DOMINGO. Do grande valor que temos, além de tudo, por formar todos os demais profissionais, competente, indiscriminada e continuamente!




terça-feira, 14 de outubro de 2014

O LUTO DO DIA DE HOJE

MORTES COTIDIANAS
                  Vera Passos*



A gente tem de morrer tantas vezes nessa vida, que precisamos ir preparando a morte, talvez, definitiva.  O nascimento é a primeira dessas mortes, quando deixamos a bolha escurinha, quente e úmida, onde estamos em total sintonia com aquele ser que nos gerou e acolhe em uma simbiose perfeita, do qual extraímos tudo de que necessitamos. O sopro inicial é um grande esforço, mas o fazemos em nome da vida que nos aguarda e das sucessivas mortes que a acompanham. É com tristeza e choro que manifestamos essa morte sempre prematura. Morremos ao sair da infância, o que tem acontecido cada vez mais cedo, devido ao apelo exaustivo da sociedade midiática e consumista,  que impõe às crianças necessidades vãs, as tornando adultos mirins para o quê não estão de modo algum preparadas. Assim é que se tornam mães sem sequer terem ensaiado as brincadeiras com suas pequenas bonecas.
Na adolescência, é toda a nossa identidade que morre e buscamos, desesperados, outra que nos caiba. Rabiscamos assinaturas possíveis e estilos de vestir e de nos portar em público que nos definam. Ora nos escondemos, ora nos mostramos escandalosa e agressivamente.
 Mais tarde, em outros rituais como ao entrar para a vida profissional e no casamento, vivemos diferentes mortes. Fenecemos quando findam os nossos relacionamentos, e constatamos, que se apagou a chama do que foi uma grande paixão. Quando somos mães, morremos ao ver sair de nós aqueles seres que mantínhamos seguros dentro dos nossos corpos e agora se lançam no mundo em suas próprias descobertas e riscos.
Embora, ao nascer tivéssemos como destino o envelhecimento e a morte, a constatação do caminhar para o fim, na imagem nossa de cada dia, é a mais difícil das mortes enfrentadas. Dela fugimos angustiados! Porém ela teima em se expor nos espelhos que são os nossos antigos, e agora também velhos, amigos. Enquanto seguimos nessa trilha misteriosa e tão imprevisível que é a vida, vemos irem-se parentes e amigos. São muitas, e tantas, essas mortes... Às vezes a vida nos prende em armadilhas traiçoeiras a ponto de querermos, voluntária e estranhamente, morrer de fato e chegarmos a atentar contra a própria existência.  Em estado de depressão, nos sabotamos e matamos vários dos nossos dias. É Tanatos que nos faz navegar pelo inconsciente, embora a vida seja cheia de possibilidades, tenhamos diversos talentos e, lá fora, brilhe um sol fulgurante sob mar azul sem fim. 
Enfim, poderia continuar discorrendo sobre uma infinidade de mortes. Mas por me sentir muito viva agora, planejo a cerimônia que registrará a minha morte. Não quero carpideiras, mas os sons da leve música de algum choro sincero dos que sentirão a minha falta. O ritual do velório é muito sombrio, embora certo luto seja necessário para que os meus filhos reflitam o que significa para cada um deles a perda de sua mãe. Para internalizarem como querem guardar essa memória. Em um gesto solidário, ecológico e de celebração à vida, já doei os meus órgãos. Que minhas cinzas sejam jogadas em campo florido, enquanto o ar conduz belos poemas e cantos sobre a arte de viver. Viver em plenitude, saboreando os bons momentos, aprendendo com os maus e partilhando cada um deles.
E que venham outras vidas e suas respectivas mortes. Se elas existirem!
          *Professora de matemática e artesã, escreve no  verapassos.blogspot.com


SUGESTÕES INDISPENSÁVEIS: 

 "DESPEDIDA", um poema de Ferreira Gullar: 

"AS CORES DE ABRIL", uma música de Vinícius e Toquinho: