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quarta-feira, 27 de maio de 2015

A FORÇA DO MISTÈRIO


 Como sou rebelde e contraditória, ensinei Matemática, mas tinha raiva das tecnologias e fui uma professora de Inglês que não suportava as sociedades Estadunidenses e Britânicas.  A última pelo colonialismo cultural brasileiro e a segunda pelo mercantilismo e colonialismo históricos. Em relação às tecnologias, o problema não são elas em si, mas o que motiva o desenvolvimento das ciências que as produzem. Quando surgiram os primeiros celulares, dentre todos os professores de Matemática da Escola Técnica Federal da Bahia, só a professora Zulmira tinha um . Eu menos me interessei pelo uso dele do que me diverti com o seu orgulho e o fato dela só ligá-lo durante segundos por conta dos altos custos! Fiquei muito tempo sem sentir necessidade de ter um celular e os meus primeiros foram os descartados por meu marido. Eu bem  gosto de controlar as pessoas, mas detesto ser monitorada! Até hoje não sei usar os canais fechados de tv e, embora tenha feito Especialização em Informática Educativa no CEFET-Go que era orientado pela UNICAMP/MIT, preciso dos meus filhos para quase todos os problemas do meu laptop e do Sansung Android, o qual os amigos mandam jogar fora pela minha incomunicabilidade. Assim, não diria que sou Jurássica, mas, no mínimo, me identifico bastante com Santos Dummond, não pela genialidade, mas por ter inventado o prático relógio de pulso. Não sei olhar as horas no celular, tem de ser olhando para o meu pulso.

Em junho, esqueci, em Tiradentes, o meu relógio de pulso, comprado de 2a. mão, há anos, em Carlito, relojoeiro amigo, da Boca do Rio. Só passei a retirá-lo, quando começou a entrar água no mostrador. Quando chegou de Minas, Lucinha o trouxe para mim,  e, ansiosa, eu o coloquei na bolsa, depois de ver que estava parado. Ao mostrar para Carlito, ele declarou não ser um problema de pilha e,  que, desta vez, ele não poderia mais voltar a funcionar depois de uma secagem do mecanismo interno, pois depois de secado, o aparelho voltava a trabalhar, parando em seguida. Ainda assim, eu lhe disse que ficasse tentando enquanto eu não lhe trouxesse um dos outros relógios que tinha: provavelmente um que comprei na Feira do Paraguaí e não o dourado, presente do marido no Natal de 2012.  Anteontem, cheguei a conversar com meu filho sobre o parecer técnico e a falta do relógio.

      Ontem, por um imprevisto de precisar sair mais cedo da terapia, eu peguei um engarrafamento na volta para casa próximo ao Iguatemi, meu percurso mais frequente depois da duplicação da Av. Pinto de Aguiar. Assim, resolvi vir pela Pituba e aproveitei para antecipar umas programadas compras no Max Center, aberto até as 20h. Minha irmã, Vânia, havia me pedido que lhe enviasse produtos por uma amigo de viagem à Europa. O problema era me lembrar de todos os itens que ela me havia solicitado, considerando que o meu celular estava descarregado, como é usual.  Eu compraria apenas os 3 artigos que memorizara. Chegando lá, entre as 3 lojas, decidi comprar primeiro as calcinhas. Na vitrine, vi os anúncios de 10% em caso de compras acima de 10 peças e a loja cheia de bolas de soprar no teto. Quanto aos 10%, achei que não iria comprar tantas peças, infelizmente. Quanto às bolas, pensei: "balela"*! Todavia, tendo me lembrado que Liza precisava de calcinhas e elas não estavam assim tão caras, completei as 6 peças para Vânia a fim de obtermos o desconto.  As atendentes me entregaram um alfinete para que eu pocasse uma das bolas... Eu nem me lembrava disso e, desinteressada, fiquei olhando para elas, torcendo para que o meu brinde não fosse tão insignificante...  No entanto, o papelzinho que saltou da bola se perdeu no, atrás ou embaixo do balcão e nenhuma de nós foi capaz de encontrá-lo. Dado o impasse, elas me deram  de novo o alfinete para tentar outra bola. Eu lhes disse: "olha, mas se o papel reaparecer, eu vou escolher!" Elas concordaram! Eu procurei uma bola mais cautelosamente e, quando a estava furando, a garota me mostrou o papelzinho. A essa altura,  meu alongamento de braço e pernas já estava pronto. Poquei! O brinde era um  relógio no valor de 99,99 reais e o anterior dava  50% de desconto Eu quis logo ver o relógio, estava claro que eu preferiria ele (mais tarde, me informaram que o desconto só valeria para a próxima compra)! A gerente protestou e então fui eu que fiquei indignada e lhes relembrei que o acerto havia sido feito antes de eu ver os papéis de premiação. Ela terminou concordando e eu precisei voltar para casa, informada de que o TriCenter fechava uma horas antes do Shopping Itaigara.  Mesmo assim, voltei para casa feliz e mais orientada.

      Fiquei analisando a sequência dos fatos. Caso não houvesse ocorrido vários imprevistos e eu não tivesse me adaptado a eles sem resistência, talvez comprasse os itens em outro local e nem participaria da promoção. O que me motivara a comprar ali foi o fato das 3 lojas serem vizinhas. A terapeuta não me liberando antes, não tendo engarrafamento, se eu não mudasse de planos, não fosse primeiro para aquela loja, não tivesse proposto o acordo e não tivesse escolhido exatamente aquelas bolas, nada disso teria acontecido. Como disse Caetano, "É incrível a força que as coisas têm, quando elas precisam acontecer!" O porquê disso é muito mais do que lógica, estatística ou comunicação. É mistério!!!!!