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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

EU ANDO PELO MUNDO, DIVERTINDO GENTE, FALANDO AOS 4 CANTOS!


Nasci, aprendi, cresci e me fiz sonhando e explorando o mundo em que vivo e do qual sou influencia e influenciadora, educanda e educadora, mas, especialmente, exploradora do tudo que dorme nas profundezas do meu mar interior...







Na manhã de hoje, eu acordei abrindo a janela e querendo me expor para o astro rei. Mas..., meu filho me pediu para levá-lo para a faculdade no Rio Vermelho. Ele quer ir dirigindo para nos convencer de que está preparado para enfrentar o caos do trânsito soteropolitano. De casa até a entrada do Imbuí, já tinha encontrado 2 ideias de textos, apenas ao observar o que encontrava pelo caminho, enquanto ele conduzia o nosso carrinho. Eu  lamentava não estar com a minha máquina fotográfica para registrar esses lances:

- as caras carrancudas e com sono dos que se dirigiam ao trabalho e o pensamento de que aqueles que andavam pela orla talvez só exercitassem o corpo e não contemplassem a beleza do dia;

- o fato da placa com o nome Bom Preço da rede Walmart em Armação já ter sido sábia e completamente apagada pelo mesmo divino sol...tomando um pouco dos raios solares e desvendando que os bons preços são uma mentira descarada;

- a constatação do desrespeito no trânsito, no qual as pessoas vão enfiando os carros por todas as brecha entre os dois carros á sua direita, esquerda  ou buzinando atrás de você, especialmente se estão em um carrão potente ou no volante de um ônibus lotado... Pedi ao meu filho que perdoassem os últimos, apenas imaginando que esses motoristas trabalham o tempo todo nesse ambiente e que estão carregando gente igualmente estressada e humilhada pela falta de um transporte digno. - Tem limite pra perdão, mãe! disse ele. Mas fazer um exercício nesse sentido, sempre faz bem, meu filho, retruquei;

- no retorno, vim por um caminho diferente, tentei pegar o mar o mais cedo possível e entrei no Costa Azul. Pensei em encontrar a Biblioteca Talles de Azevedo aberta e tomar o livro Ana Terra emprestado, porque o perdi em Aracaju nesse Carnaval e Érico Veríssimo já me havia prendido em sua narrativa no primeiro parágrafo. A biblioteca estava fechada porque era cedo demais...

- voltei procurando um cara que conheci outro dia e me mostrou sua barraca de água de coco em Jaguaribe, mas não havia ninguém vendendo água de coco naquela hora entre a 3a. Ponte e Itapuã;

- sob o pretexto de comprar umas coisas na delicatesse do Posto BR da orla, eu estacionei o carro para ir à praia fazer alguns exercícios e contemplar o mar sob o sol, isso não sem antes dar uma olhadela na manchete do Jornal A Tarde, que pelo que sei foi comprado pelo Correio da Bahia - portanto não há diversidade na mídia escrita nessa cidade da Bahia, que continua a mesma como Gregório de Mattos Guerra já dizia...

- fiz uma pequena série de exercícios de yoga mesmo usando um curto vestido de frente para o mar, mas voltada para a parede...Mesmo assim, alguns passantes de carro estranhavam e buzinavam e os frentistas comentavam olhando para mim. Fui até um deles e pedi que enchesse o ar dos pneus do meu carro pq eu estava de vestido e não ficaria bem me abaixar. Ele o fez e eu retribui a gentileza com um suco de maracujá e uma barra de cereais,  levados para o meu filho que os rejeitou.



Eu tive um início de manhã rico em experiências fruto de contatos humanos enriquecedores para mim e, imagino, que também o tenham sido para as pessoas com as quais me comuniquei por gestos ou palavras .




No final da manhã, depois de fazer fisioterapia para o pé quebrado, eu fui até a setor Financeiro da Unifacs para solicitar o desconto que é concedido até o dia 30 e foi antecipado, sem aviso, para o dia 28, portanto, fazendo com que o perdêssemos. Ao sair de lá, depois de 23 pessoas atendidas na minha frente, encontrei dois jovens que estavam cavando em um canteiro totalmente abandonado (que poderia muito bem ser adotado pela Universidade particular como uma pequenina contribuição social ao lugar em que está inserido alguns setores dela). Os jovens estavam fazendo mudas da planta nim e me falaram das suas propriedades. Eu lhes pedi uma muda, eles me deram com muito carinho e eu retribui com um poesia... Daniel foi aquele que me segredou que fazia poesias... Eu pedi que as enviasse para o meu face e eis aqui uma delas:


 DE DANIEL PARA NIM
(poema de apresentação e pedido de amizade no Facebook)
                  Daniel Lopes Siqueira

olá vera! cuide bem do nim para mim! tenho mania de viver assim rimando o não com o sim!

Olá, Daniel! fique tranquilo
eu o plantei assim que cheguei
sem demora ou hesitação
reguei a muda do nim.
Quero que ela cresça
tim tim por tim tim
rumo a um sol sem fim. 


ALIC(N)E NO MUNDO DOS ESPELHOS INTERNOS, SOCIAIS E VIRTUAIS DEFORMADORES


Ontem, eu tive um dia rico em experiências fruto de contatos humanos enriquecedores para mim e, imagino, que também o tenham sido para as pessoas com as quais me comuniquei por gestos ou palavras ... Esses encontros serão tema de uma postagem futura de título EU ANDO PELO MUNDO, FALANDO AOS 4 CANTOS!

Surpreendentemente, ao contrário todo o conteúdo de experiências que vivi por estar a elas aberta... cometi o recorrente equívoco de planejar a minha noite... E como quem está no comando da minha vida não sou eu, mas alguma coisa muito maior do que essa criatura por ela criada, tudo saiu ao avesso. Planejei ir ver o carnaval na Barra, com meu marido, minha irmã e talvez, minha filha de 16 anos que nunca foi lá. Ele me respondeu simplesmente com um... não quero...Eu insisti e até passei o telefone para que Vânia tentasse convencê-lo a ir conosco, mas ele foi irredutível... Eu lhe assegurei que iria sem ele. Ele só repetiu que não iria. Caso decidisse ir, eu já havia previsto as dificuldades que teria em retornar sozinha tarde da noite do Cristo na Barra para onde moro, próximo a Itapuã, seja em um táxi, seja em um ônibus como me aconselhou a cozinheira da nossa casa.


Quando ele chegou em casa, eu já estava me preparando para ir,,, mas preocupada com nossa saúde e principalmente com a saúde de nossa relação,  temi ficar longe dele, me divertindo... depois de lhe dizer o que queria fazer e de lhe perguntar reiteradas vezes se ele se importaria se eu fosse... ele me respondeu - acho que vou assistir o filme ... com nossa filha. Entendi que essa era a sua vontade e  eu e nossa filha nos arrumamos bem bonitas para irmos ao Shopping, onde eu compraria dois remédios, minha filha veria uns shorts e assistiríamos juntos um filme - a parte lúdica do programa pois já havíamos jantado em casa. Minha filha descobriu pelo seu celular que o filme estava passando em sessões com horários mais cedo. Eu argumentei que deveríamos ir assim mesmo, por conta dos remédios e talvez àquela hora não encontrássemos farmácias abertas fora dos Shopping Centers. Minha filha desistiu de ir e eu me preparei para namorar agarradinho em frente à tela com ele...

Fomos nós dois, nos aproximando do shopping e procurando pelos 2 remédios em diversas farmácias. Só achei um deles que precisava tomar desde ontem e voltamos para casa porque os dois preferimos assistir um filme em casa - ele até tinha sugerido que revíssemos Janela Indiscreta, agora com nossa filha. Começou a passar o filme no computador do escritório e eu chamei nossa filha para vir assistir conosco... A essa altura ela já estava assistindo outro filme no seu quarto (hoje, os computadores nos quartos passaram a fazer o papel das TVs como fatores de isolamento dos membros da família, e observem que em nossa casa há uma única TV, na sala, justamente para prevenir esse isolamento e a baixa qualidade e energia emanadas das programações).
Depois de lhe mostrar como eu havia realçado o que há de belo em mim, só para lhe agradar, e ele concordar que eu estava bela,  começamos a ver o filme de Hitchcock do ponto onde ele o havia parado. Ele insistia em que eu tomasse os remédios para que eu não caísse facilmente no sono. Depois, antes de rebubinar, sic ,digo, antes de colocar o filme no começo, ele decidiu me mostrar outro filme que eu adoraria para que eu decidisse melhor a qual deles eu preferiria assistir. Escolhi o segundo: A GRANDE MENTIRA. Esse é um filme maravilhoso que recomendo a todos, discute lealdade, amor, paz, guerra, tormentos psicológicos, orgulho e forças psicológica e física humanas. Um prato cheio para um bom professor de história, sociologia, geografia, ética, direitos humanos etc. Ao acabar o filme, acordei o meu companheiro que roncava, há muito tempo, dando gargalhadas porque as suas previsões de que eu dormiria no início do filme, caso fôssemos ao cinema, tinham falhado de modo invertido. Eu lhe disse:  se meus médicos e psicólogos não conseguem me entender, se eu mesma não consigo, como pode você pensar que é capaz não só de fazê-lo, como de prever o meu comportamento:

http://www.interfilmes.com/filme_21858_A.Grande.Mentira.No.Limite.da.Mentira-(The.Debt).html

Subi rindo para o quarto, enquanto recolhia e organizava pratos e roupas espalhados no caminho da cozinha até o nosso quarto. Ao chegar ao quarto, vi a seguinte postagem de um amigo muito brincalhão a quem chamo de Chefinho...



No embalo em que estava nessa quarta à noite, eu dei gargalhadas homéricas e já ia postando algo que completasse a piada quando...
...li um comentário com a sabedoria de uma jovem Aline, como tantas outras Alices que conheço...
      • Roque Lima Lima Não vi dessa maneira não se trata de discriminação você entendeu errado é apenas uma propaganda de um Pai de Santo oferecendo seus serviços.
        há 2 horas · Gosto · 1
      • Aline Nunes huahauhauahuahuah tudo bem, meu tio, apaguei o comentário pq percebi que não foi a intenção mesmo! 
      • Aline Nunes Creio que não seja uma propaganda verdadeira,rs..Deve ser uma sátira. Lembrei que já postei algo do gênero, é engraçado mas pode não ter a mesma graça pra quem é do candomblé. Na verdade neste momento estou analisando a minha atitude, uma vez postei a foto de uma possível oferenda com bebidas caras aqui no face, e brinquei: "Como não acho uma dessas por aí", foi divertido porque naquele momento eu pensei nas bebidas e não em ridicularizar a fé dos que acreditam(no candomblé), mas agora fico pensando se deveria mesmo ter postado aquilo, não por medo da religião dos outros mas por receio de magoar os que acreditam com tanta veemência...essa coisa de facebook ta cada dia mais complicada, hahahaha, é difícil não se contradizer por aqui, não está tão diferente quanto na "vida real".
      • Roque Lima Lima Está perdoada não deve levar muito a serio o rola na internet tem muitas coisas fútil, desnecessárias que não deveríamos perder tempo com essas coisa o pior trata-se um vício que se avoluma sem precedente temos nos cuidar. Bjs boa noite e bom carnaval pra você.
        há 2 horas · Gosto · 1
      • Aline Nunes  Verdade,beijo!
 ...que me fez refletir:

... na resposta que me fiz, no mês de novembro, na postagem de título O QUE HÁ DE PRECONCEITO EM MIM...
... na enorme quantidade de ruídos no mundo, em consequência do aumento avassalador de comunicações atiçadas pelas novas tecnologias e utilizadas rapidamente e irrefletidamente...
... na necessidade ou não de haver uma licença humorística que permita aos cartunistas, comediantes e outros profissionais do gênero falarem, desenharem e tratarem de qualquer tema, mesmo que sejam perseguidos como o foi o Salmon Rushidi...
...de que as religiões, sendo construções humanas, podem e devem ser questionadas por qualquer individuo ou devem ser tabu como tantos outros dentro delas para toda a humanidade...
... do caos do universo físico, do universo social e dos universos psíquicos de bilhões de indivíduos em um único planeta do todo que conhecemos infinitesimalmente...

Como ando refletindo sobre um pressuposto de que A POESIA é mais ampla e transcende todos os caminhos já trilhados pelo pensamento humano, respondo com um poema de Drummond, que resume o conceito de verdade equivocadamente usado como sinônimo de realidade pelas pessoas:

A VERDADE DIVIDIDA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

POESIA AINDA QUE POR PURA INDIGNAÇÃO




Ontem, ao irmos cortar o seu cabelo, meu filho me disse: "Mãe, meu professor falou uma coisa que você vai gostar. Ele disse não entender porque as mulheres brasileiras não saem pelas ruas em passeata contra os atenuantes da condenação do ex-goleiro que matou Elíza Samúdio." Eu lhe respondi:  'Seu professor está certo, meu filho, não tenho acompanhado os noticiários justamente para não assistir a essas injustiças. Ele deve ser réu primário, poder pagar bons advogados e sua pena deve ter sido reduzida consideravelmente...Eu vou fazer um grupo no facebook para mobilizar as mulheres do nosso pais, inclusive porque há estatísticas que confirmam o aumento do número de assassinatos de mulheres brasileiras."  Ele retrucou: "NÃO, não faça isso, mãe, você já faz muitas coisas,,, Não assuma coisas demais, isso pode te fazer mal..." 
Posto isso, seguem algumas notícias" obre o caso, as estatísticas sobre os assassinatos de mulheres nesse nosso país e dados sobre a lei Maria da Penha, a mais avançada que temos no respeito ao direito da mulher:


http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/mg/2013-03-03/defesa-diz-que-goleiro-bruno-pode-recorrer-livre-mesmo-se-for-condenado.html

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/1198530-numero-de-mulheres-assassinadas-por-mes-no-brasil-salta-de-113-para-372.shtml

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/09/25/lei-maria-da-penha-nao-diminuiu-violencia-contra-mulher-no-brasil-diz-ipea.htm

Reproduzo abaixo uma postagem nesse do ano de 2010, a minha indignação poética e solitária à época:


No Coliseu de Roma, há mais de 2000 anos, os católicos eram jogados aos leões como entretenimento ao público nas arquibancadas. No Brasil de hoje, a carne feminina é lançada como alimento aos cães no espetáculo hediondo do machismo nosso de cada dia. Sem originalidade para expressar tamanha indignação, faço minha as palavras de outros Homens:

"E assim caminha a humanidade,
com passos de forrmiga
e sem vontade...."

Lulu Santos
Vale ressaltar que as formigas formam uma sociedade extremamente produtiva e harmônica e com seus pequenos passoscarregam pesos bem acima dos seus. Se caminhássemos proporcionalmente como elas, nossas sociedades estariam em outro estágio. No entanto,dotados de cérebros extremamente complexos, os homens é que parecem não sair do lugar primitivo de sempre...

"AVISO À PRAÇA"
Antônio Risério

O humano é um engano do humano. 
Divide o humano em humano e desumano.
Sonho insano de se ver a salvo
De crivos e crises e crimes
Cravados no alvo.
Bobagem. Nenhum capitalismo é selvagem.
Puta não é cadela. Nem a vida, feroz.
O homem é o homem do homem.
Todos juntos e a uma só voz.
Humana é a sala de tortura,
A napalm, a navalha, a metralha no gueto
- a pele esfolada no porão.
Humana, humaníssima, a escravidão.
Humano é o arame farpado
O estripador branco, o estuprador preto,
Carndiru, Somália, Khmer, Bopal
O massacre na Praça da Paz Celestial.
Humana a fissão do átomo
Humana a fissura do FIM.

Não consta que
roseiras e gaivotas
ajam assim.



domingo, 9 de fevereiro de 2014

DESNUDANDO-ME PUBLICAMENTE OU BUSCANDO AS MINHAS IDENTIDADES




Qualquer pessoa que procurar o nome Vera Passos no google, encontrará inúmeras informações sobre uma bailarina famosa minha homônima. Na Bahia, tenho outra homônima que é poeta, muitos me confundem com ela eu espero conhecê-la nessa terça-feira. Assim, acabei de atualizar a resposta à pergunta do meu blog: QUEM SOU EU?

Antes de tudo, sou mulher, me considero um enigma e me identifico no poema  Esfinge escrita pela poeta  Myrian Fraga:


Revesti-me de mistério 
Por ser frágil,
Pois bem sei que decifrar-me 
É destruir-me.

No fundo, não me importa 
O enigma que proponho.

Por ser mulher e pássaro 
E leoa,
Tendo forjado em aço 
As minhas garras, 
É que se espantam 
E se apavoram.

Não me exalto.
Sei que virá o dia das respostas 
E profetizo-me clara e desarmada.

E por saber que a morte 
E a última chave,
Adivinho-me nas vítimas que estraçalho.

Como qualquer ser humano, tenho múltiplas máscaras, personas e imagens nos diferentes espelhos que passam os seus olhares por mim. Segue aquela que tenho no meu espelho pessoal:

COMO ME VEJO:
Sou, antes de tudo,  uma mulher que busca ver o mundo sobre um prisma verdadeiro e original. Professora aposentada de matemática e mãe de dois filhos, cuja tarefa considero a mais difícil da vida. Através de concursos, tive textos publicados em antologias de contos e crônicas. Produzo peças artesanais da marca UM A UM -  Costumização, escrevo no blog pessoal "Pegadas de tintas a desvendar meus passos"    ( http://verapassos.blogspot.com.br/ )  e me apresento falando poesias com o grupo DI VERSOS - Arte Poética Singular, cujo blog administro (http://diversosartepoeticasingular.blogspot.com.br/. 
Pós-graduada em Informática Educativa e Metodologia do Ensino Superior, fiz formação em Yoga na Educação. Atuei como voluntária da Creche Escola Tereza Cristina, trabalhando música, poesia e yoga, com crianças do Bairro da Paz. Atualmente sou Diretora Cultural do SINASEFE- BA. Convivo com um diagnóstico de transtorno bipolar que me torna excessivamente antagônica e sensível. Gostaria de aprender espanhol, uma terceira língua estrangeira, mas a minha grande frustração é não cantar bem. Quero melhorar a qualidade de minha expressão escrita, pois a considero um ato educativo e terapêutico. Aos 55 anos, ainda acho que há muitos talentos a serem descobertos em mim e em todas as outras pessoas. 

\COMO FUI VISTA POÉTICA E GENEROSAMENTE: 

FONTE E FORÇA
                   De Eurídice Macedo
                   Para Vera Passos

Às vezes sou uma mulher

totalmente sem medos e
me assusto com a voragem,
de uma coragem,
que me aparece assim de repente e
me diz: e aí mulher, vamos em frente?

E eu vou!


Arregaço as mangas ciganas,

arrebanho as saias baianas e sigo
essa entidade que se apossa de mim.
Livre, destemida, aguerrida,
não peço passagem.
Eu vou!
Sou fonte e força,
Feminina, eu mulher
Sou uma usina!

CONTINUANDO...
Repasso a pergunta para você que me conhece íntima e superficialmente: como você me vê? Quero ver-me através dos seus olhos... Deixe, não o seu comentário, mas o seu depoimento o mais claro e verdadeiro possível abaixo:  

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

TRABALHO VOLUNTÁRIO NA REDE BOM PREÇO



Antes de começar a histórIa segue a minha resposta:  piorou substancialmente, na limpeza, na quase inexistência de empacotadores e gerentes, na falta de carrinhos nos devidos lugares, na qualidade dos produtos e dos sacos, especialmente nos de frutas e verduras, nos preços  e na satisfação dos próprios funcionários.

    No final da tarde de ontem, fui no `BOM PREÇO` de Armação, para comprar um queijo gorgonzola para colocar em uma pizza. Só havia 2 marcas: uma delas que eu sabia ser uma das mais caras, cujo quilo custava cerca de RS 20,00 a mais do que a outra. Optei por experimentar a nova marca. Quando ia colocar na pizza, minha filha achou o cheiro um pouco forte demais, diferente. Confirmamos e decidimos não usá-lo. Hoje eu o levei para trocar. Como tinha médico no Itaigara, tentei trocar na loja do Shopping de lá. Eu me dirigi ao SAC, onde não havia funcionário, á moça do caixa, disse que a pessoa tinha ido fazer outra atividade e mandou um raros empacotadores me atender. Ele ficou em dúvida, olhou o cupom fiscal e me disse que eu achasse o queijo lá, eu poderia pegar o queijo de dentro do carro e trocar por outro. Não havia, então fui almoçar e segui a rotina prevista para o dia. Na volta para casa, passei pela loja onde o comprei e também não havia ninguém no SAC. O guarda veio atender, fez cara feia, outro empacotador também fez  a mesma cara e disse que estava dentro do prazo de validade. Quando ambos viram o estado do queijo com uma parte liquefeita pelo calor de Salvador,  acharam que o queijo havia se estragado com o calor.  Eu lhes avisei que estava sólido quando fui na outra filial. Levantaram a possibilidade de que eu havia deixado o queijo fora da geladeira durante a noite. Depois, uma moça apareceu e disse que eu fosse trocar. Eu lhe informei que provavelmente compraria outra marca e avisei que mandasse verificar se estava, todos assim, porque esses queijos estragados poderiam causar infecção em várias pessoas. Ela disse que resolveria isso imediatamente. Fui na prateleira de queijos, abri uma pontinha do lacre de um deles e estava pior do que o meu. Comprei a outra marca, vários outros itens, peguei a fila, paguei e ao sair, resolvi voltar lá para ver se algo tinha sido feito. 

            É claro que estavam todos lá. Fico imaginando quantas pessoas compraram (comprarão)
 esse queijo, quantas reclamaram (reclamarão), quantas tiveram (terão) condições de mantê-lo estragado na geladeira até poderem ir reclamar, quantas jogaram (jogarão) fora pela impossibilidade de retornarem lá? 

Conclusão: nessa mensagem estou prestando um serviço gratuito de Atendimento ao Consumidor para a rede de Supermercados  Walmart :
  
AVISO:

SENHORES CLIENTES
PEDIMOS A GENTILEZA DE NÃO COMPRAR O QUEIJO GORGONZOLA DO RÓTULO AZUL DA FOTO ABAIXO, POIS ESTÁ ESTRAGADO.
AGRADECEMOS,
  GERÊNCIA




Moral da História:  QUEIJO FEDIDO X QUEIJO ESTRAGADO = INFECÇÃO INTESTINAL

domingo, 2 de fevereiro de 2014

UM PORTUGUÊS, UMA BAIANA E MUITOS FILHOS ADOTIVOS

     Eu os conheci ainda pequena. Eram uma espécie de parentes da família que apareciam na nossa cidade de tempos em tempos. Naquela época, jamais pensei que se tornariam tão importantes na minha vida...
Ela sempre dizia que ele havia me adotado como filha e recordava a cena dele fazendo contas no escritório e eu ajoelhada ao seu lado. Eram os momentos em que ele verificava os lucros obtidos nos investimentos que fizera com a minha herança e me dizia: você é rica, pode gastar mais.


     Para mim, ele foi uma espécie de pai ideal, aquele que não faz exigências, já te vê como adulta e do qual não precisa esconder o que é. Como eu, ele não tinha papas na língua e isso fez com que nossa relação fosse muito verdadeira. Um dia ele afirmou que eu era virgem e se dispôs a colocar a sua mão no fogo por isso. Eu lhe respondi, dando uma gargalhada: ´se eu fosse você, não o faria, corre grande risco de se queimar...` Ele deu uma risadinha e encerramos a conversa. Em outra ocasião ele queria que eu lhe prometesse telefonar todos os dias só para lhe assegurar que eu estava bem. Afirmei que não o faria, afinal não havia telefones em todos os lugares e eu poderia esquecer ou não achar um orelhão. Concluí lhe tranquilizando com o ditado: `notícia ruim não anda, voa`. Ela, por seu turno, vivia me perguntando seu eu queria que ela fosse minha mãe. Eu lhe garantia que não seria uma boa ideia pois nossa relação seria diferente. 

     O gosto pela música era mais uma afinidade que havia entre nós. Ele tinha um som chamado três em um no qual escutávamos Frank Sinatra e Noel Rosa. De meu lado, eu sempre lhe mostrava as novidades da música brasileira. Um dia o fiz ouvir com atenção a música A NÍVEL DE, de João Bosco, que trata de dois casais que fizeram todas as trocas possíveis:  

(...)Estruturou-se um troca-troca
e os quatro: hum-hum... oqué... tá bom... é...
Só que Odilon, não pegando bem a coisa,
agarrou o Vanderley e a Yolanda ó na Adelina.
Vanderley e Odilon
bem mais unidos
empataram capital
e estão montando
restaurante natural
cuja proposta
é cada um come o que gosta(...)



     Ele deu risada e a ouviu repetias vezes, balançando negativamente a cabeça. Se dizia escandalizado com essas coisas, mas passava todas as noites de carnaval admirando as mulheres peladas dos desfiles do Rio e mantinha uma coleção escondida da revista Playboy.  Ela fazia questão de conservar o seu corpo bem feito com cintura de pilão, ancas largas e pernas grossas e rígidas fazendo toda manhã uma sequência de exercícios físicos que tentou me ensinar, sem sucesso. Eu sempre perguntava a ela se eles ainda faziam sexo e ela respondia sorrindo. Um dia me segredou: quando você tiver um marido e quiser lhe pedir uma coisa muito importante, deixe para falar sobre o assunto na cama, depois de vocês namorarem. 


     Como todo bom português. ele era bem machista em sua relação com a esposa e eu sempre me metia nas discussões lhe mostrando o quanto estava sendo autoritário. Eles tinham um afilhado muito querido que morava longe.  Ele estava prestes a vir passar o verão na Bahia e eles não paravam de repetir  como ele era bonito, inteligente, carinhoso e divertido. Na noite em que o rapaz chegou, quando batemos os olhos um no outro, deu paixonite aguda. Quando fomos dormir, do meu quarto eu os ouvia fazendo planos: eles vão se casar e ele virá morar aqui na Bahia. No entanto, seu sobrinho era tímido e só trocamos um beijo no momento da despedida.

     Eu sentia o amor que ele tinha por mim, embora fosse incapaz de me fazer um carinho. Uma vez, depois do fim de um namoro, quando me viu chorando, ele passava a mão em minha cabeça de um modo que mais parecia um empurrão do que um afago. Aliás do que mais me lembro são de suas mãos brancas com uma aliança grossa batendo sobre a mesa depois das refeições nas quais tinha sempre arroz especial que só ela sabia fazer. 

      Ele tinha uma biblioteca extensa e eu comecei a ler livros recomendados por ele como Os 7 Minutos de Irving Wallace e a sua coleção de Alexandre Dumas. Quando ele morreu, eu comprei dela a coleção completa de Monteiro Lobato para dar a minha sobrinha Bianca. Quando Bee cresceu, eles vieram para os meus filhos e agora que eles também estão crescidos, mantenho os livros no meu quarto. Aliás, é uma das poucas coisas que tenho dele. Assim que ele se foi, ela me deu um colar bem grosso de prata que ele usava por recomendação médica. O colar desapareceu da minha casa, mas não as lembranças.