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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

FLIPORTO



Pela primeira vez, participei da Feira Literária de Olinda (FLIPORTO). Ela tem esse nome porque anteriormente acontecia em Porto de Galinhas. Foram 4 dias super ricos, com mil atividades. A vontade que dava era poder me dividir em 4 ou 5 para não perder nada do que lá acontecia (saí em cortejo poético com os grupos locais, trouxe uma muda de baobá da EcoFliporto, onde fiz uma oficina de caixa de papel em origami, tomei massagem e trouxe mensagem em braille da tenta do Instituto dos Cegos, assisti palestra sobre a contação de histórias no espaço da UBE (União Brasileira dos Escritores), assisti ao lançamento da coletânea de poemas escolhidos de José Inácio Vieira de Melo etc. Infelizmente perdi o show de Jorge Ben Jor e a palestra de abertura com Deepak Chopra.


Os painéis, como o acima, em que escritores como Fernando Morais, Nelson Motta, Frei Betto e Fred Barbosa  foram entrevistados por mediadores (todos homens),  eram apresentados no espaço principal e transmitidos por telas em uma tenda para 400 pessoas. Apesar do público se espalhar entre vários espaços,  achei o evento um pouco esvaziado. No entanto, a criatividade nordestina era muito marcante em todas as atividades.

Maria Paula, a comediante global, lançou o seu primeiro livro de título "Liberdade Crônica". Nessa foto, ela discute com sua editora, Bia, e outra escritora, o que chamam de "Mulher Alfa". 


Mas o ponto alto do evento foi, sem a menor sombra de dúvidas, a entrevista feita pelo jornalista Sírio Bocanera à escritora libanesa Joumana Hadad.  "Eu Matei Sherazade" é o título do interessante livro escrito por Joumana no qual ela discute a condição da mulher no mundo árabe. O mais interessante é que ela traz reflexões importantes, não apenas para a mulher oriental, mas também para nós mulheres do Ocidente. Rompendo todos os estereótipos que possuímos sobre as mulheres do oriente, a escritora apareceu em um vestido curto branco, com saltos muito altos, cabelos soltos e um batom vermelho nos lábios. Falante de vários idiomas, ela presenteou a platéia lendo um trecho maravilhoso do seu livro em Português. Eu chorei!

Histórias de Mãe Benta

O grupo Akpalos: contadores de histórias encerrou no dia 20 de novembro a sua temporada no Teatro Xisto, com o espetáculo "Histórias de Mãe Beata". Ao todo foram oito apresentações nas manhãs de domingo. 
Na abertura, a escritora esteve presente e um caruru foi oferecido ao público presente. 
A minha amiga, Zidi Brandão, era uma das contadoras que nos fez viajar através das lindas histórias do recôncavo, sobre animais ou baseadas em mitos africanos, todas elas extraídas do livro "Caroço de Dendê"
O idade dos componentes do elenco varia entre 10 e 63 anos.  Aí estou entre a mascote, Clara, e a mais experiente deles,  feliz com os seus 63 anos. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ERA DOCE E SE ACABOU...

Acabou ontem a X Bienal do Livro. Aposentada, portanto, nas férias da minha vida, pude me dar ao luxo de ir bater o ponto lá quase todos os dias. Talvez por isso, considero que foi a mais organizada e interessante das bienais. Chegava próximo às 18h e voltava depois das 21, no encerramento diário das atividades.


Destaques para a animação do espaço Cordel e Poesia, coordenado por José Inácio Vieira de Mello, no qual tive a surpresa de conhecer pessoalmente, a poeta e amiga virtual, Lilian Maial, e onde encontrei outros amigos e/ou poetas como Douglas de Almeida, Everaldo, Antônio Barreto, Goulart Gomes, Bete e Juracy, Alberto Lima, Valdeck Almeida, Nívea Vasconcelos, Tiago Oliveira, Everton Lima, Lita Passos, Marcos Peralta, Edgar Velame, entre outros. Nesse espaço, Lani Quinto cantou e leu a poesia de Cartola. O poeta português Luis Seguilha continua desconhecido, porque era impossível acompanhar o seu português galopante.


As ótimas mesas redondas, ou, como disse o poeta Cajazeira Ramos :"sofás retangulares", do Café Literário foram organizadas por Carlos Ribeiro que soube selecionar temas, entrevistados e mediadores bem variados e relevantes. Cada um dos excelentes mediadores, entre os quais destaco Mônica Menezes, José Inácio, Kátia Borges e André Guerra,  deixou a sua marca.  Enquanto a de Cajazeira Ramos foi a descontração, a marca de  Silvino Bastos foi a clareza didática. Não deu para apreciar os desempenhos de dois mediadores:  José de Jesus Barreto que fez uma abertura formal e enfadonha de quase meia hora e o magro Elieser Cesar que lembrava Jô Soares ao interromper constantemente os entrevistados, porém sem o ótimo senso de humor do gordo. Quanto aos entrevistados, vi pela primeira vez os poetas Carpinejar e Antônio Brasileiro (o pai de Tati), ambos polêmicos e irreverentes, embora o segundo seja bem mais simpático.  Já estou lendo "O Manuscrito de Karl Marx" de Armando Avena, o pai de minha sobrinha Joana, que deu um show à parte,  demonstrando conhecimento, descontração e simplicidade. Tive o prazer de falar "Aula de Desenho" para a sua autora, Maria Esther Maciel, no encerramento da mesa sobre literatura e cinema e de mostrar para Karina Rabinovitz, "Passaporte" uma versão do seu poema "Currículo. Lindíssimo o poema de Ângela Vilma em louvor a Cecília Meireles. 
Tive a chance de diminuir a minha fenomenal ignorância ao tomar conhecimento da existência literária de Marinyze Prates, Cristóvão Tezza (também estou lendo o seu "Um Erro Emocional"), Edvaldo Pereira Lima, Mariana Ianelli, Luis Pimentel, Cássia Lopes, Jorge Ramos, Ana Cecília de Souza Bastos, Luiz Roberto Guedes, Janaina Amado (desejo conhecer melhor a poética de Jacinta Passos), Rinaldo de Fernandes (de quem adquiri "Capitu Mandou Flores"), Aline D'Eça, Edvaldo Pereira Lima etc  E por falar em poetas desconhecidos, fiquei encantada com a proporcionalidade direta entre o conhecimento e a simplicidade de Jorge Araújo.


Em uma descontraída Tarde de Autógrafos, assisti Mônica Menezes e Carlos Barbosa serem entrevistados por Mayrant Gallo,  com uma grande participação dos presentes, entre os quais o ilustre professor Ubiratã Castro. Chegou, enfim o dia de comprar o "Beira de Rio, Correnteza", que, há tempos, estava em uma lista na minha agenda. Ouvi as minhas poesias preferidas ("Herança" e "Sonhos de Bailarina")  na sua voz doce e encabulada de sua autora.

Adorei inclusive o movimento dos trabalhadores que fecharam a Bienal no  domingo, antes do horário, numa manifestação de respeito pela sua força de trabalho. Na véspera, eu já tinha ouvido relatos de que eles estavam trabalhando muito além dos seus horários, sem remuneração adicional. A decisão lúcida de diminuir o valor do ingressos deve ter permitido uma maior participação do público.  Graças às promoções, adquiri livros que já tinha, só para dar de presente, como a excelente autobiografia de Jane Fonda. Para quem? Depois eu decido o nome da felizarda.   


Ainda assim, gulosa que sou, fiquei com desejo de quero mais não só pelas ausências de Fernando Moraes e do meu amigo Wesley Correia, mas também por não ter assistido as mesas "Jorge Amado e o Mundo" e "O Nordeste como Protagonista". Infelizmente também não pude ver Cleise Mendes, de cuja filha fui professora, Douglas Almeida, Everton Lima  e Nádia São Paulo, de quem havia acabado de ler um romance. 
Na hora da despedida,  vem o desejo que chegue a próxima 
Bienal...  e o que foi doce se torne achocolatado. 
QUEM VIVER, VERÁ!