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domingo, 28 de setembro de 2014

EXTREMAMENTE FORTE E TÃO VULNERÁVEL AINDA



Cheguei de 7 dias de viagem, com vontade de abraçar os meus filhos e lhes dizer certas coisas ao ouvido. A Liza eu queria relembrar as suas últimas conquistas obtidas em relação à sua capacidade de aprender e sua maturidade. A Ciro queria dizer de sua força, dos inúmeros obstáculos que havia conseguido ultrapassar desde que saiu de minha barriga pelo método tradicional e fez xixi em cima dela, logo depois do meu primeiro abraço.




Como Ciro se aproximava de completar 21 anos, eu vinha refletido bastante sobre a contradição existente entre essa sua capacidade de superação e os aparentes frágeis limites que ele insiste em manter, como que o impedindo de dar passos maiores, de voar mais alto. Sem compreender direito isso, acabo fechando esses meus pensamentos com a velha constatação de que somos todos contraditórios, que a vida é complexa demais para exigirmos coerências em nossos comportamentos e observando aspectos semelhantes em mim mesma.
                                              Véspera do nascimento de Ciro (26/09/93)


Antes de dormir, seu pai lhe dá uma folha escrita que parece reforçar a minha precária conclusão e eu lhes anuncio que vou copiar os conselhos dados no cartão, porque eles servem igualmente para mim:

PLANO PARA O FUTURO: HOJE!

1- Reflita sobre o que é verdadeiro em você - pergunte-se e responda a você mesmo, sempre.       Encontre o seu lugar no mundo;

2 - Queira realizar coisas que estruturem seu lugar no mundo:

3 - Realize!

4 - Persista!

5 - Desfrute com as pessoas que você gosta e que gostam de você.


Se o futuro for hoje, ainda tenho tempo para descobrir, persistir, realizar e desfrutar coisas mais verdadeira em mim, não é mesmo? E se for juntos, será bem melhor!





quarta-feira, 24 de setembro de 2014

COM QUE PINCEL?

Com que pincel?
                    (Vera Passos)


      O pincel com que pinto os meus dias tem a propriedade, às vezes mágica e muitas vezes perversa, de derramar potes de cores que saem impregnando ambientes diversos da minha vida. O maior estrago dessa sua característica quase intrínseca é que essa avalanche não tem como resultado a paz representada pela mistura de todos os espectros da luz. 

     O pincel é mágico quando, muito além das esquinas asfálticas e esburacadas dessa cidade, onde grávidas vasculham sacos de lixo como se a escassez fosse a lei do universo, nuances das delicadas marcas de primavera acessam os meus olhos, nesse eterno país do Verão.  E extremamente perverso nas horas em que o pó do dióxido de carbono ofusca os variados matizes do arco–íris do livre-arbítrio espelhado em minhas pupilas; e o que eram avenidas de vale, ladeiras, ruelas, becos e ruas de amplos destinos se estreitam em um longo túnel escuro e abafado, no qual a terra, em luta com a gravidade, derrama-se em lágrimas pelas rachaduras de paredes úmidas. É quando esqueço que sou um fruto único gerado da ligação misteriosa entre os pais celestiais, gigantes sempre ternos e inquebrantáveis na crença de que serei um dia, uma filha capaz de transmutar a dor em um equilíbrio de prazer no vai e vem dos movimentos galopantes do agora a se transformarem em presentes, logo amassados pelo tempo. Presentes que podemos receber, tanto com os olhos de crianças afortunadas em épocas natalinas como com o temor de quem tem a consciência da possibilidade de abrir um cartão de Ano Novo, repleto de Antrax em tempos de terrorismo insano.

      Menina estabanada que ainda sou, não aprendi a limpar as paletas, evitar as misturas indesejadas ou definir com firmeza que a harmonia deve ser o tom primordial a se espalhar por forte desejo e determinação daquela que é, afinal, a grande pintora do quadro. Esta criatura que não terá tempo sequer de assiná-lo ou explicar sua inata falta de talento para a arte do existir, quando, por um sopro inesperado, tal qual o gorro, o avental, a espátula e o cavalete, ela passar a ser mais um entre tantos objetos inertes pelo chão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

HISTÓRIA ENCANTADA PARA MAIS UMA NOITE

Estou fazendo um curso de Contação de História com o Teatro Griô e preciso escolher segunda história para apresentar. Pensei em um conto "Palimpsesto" de Guimarães Rosa e 'Duas Palavras" de Isabel Allende. Oprimeiro faz parte de um dos últimos livros do autor, de título "Primeira Histórias" eo o segundo é um dos "Contos de Eva Luna", personagem de um romance anterior a esse livro. 

Optei pelo último, que tem um número menor de personagens. Meu desafio será conseguir expressar a poesia inerente à sua narrativa. Eu acabei de lei conto da sobrinha de Salvador Allende para a minha filha, que pegou no sono antes do desfecho, mas acordou a tempo e me pediu que o repetisse. Para quem não o conhece ou quer relembrar a sua beleza, sugiro deliciar-se o lendo, porque trata-se de uma preciosidade:

Ele pode ser lido no blog:
http://contosdeaula.blogspot.com.br/2011/05/duas-palavras.html

Como fundo musical podemos ouvir ou ler ao som de Paco de Lucia:
https://www.youtube.com/watch?v=e9RS4biqyAc&list=RDNv34G5b-ty8&index=4


sábado, 13 de setembro de 2014

MOEDAS ELEITORAIS

O voto no Brasil tem moedas muito diversas.Para a maioria, vale artigos básicos como serviços de saúde, promessa de emprego, uma ligadura de trompas, um atendimento de urgência e até um par de sapatos. Para outros, a moeda é a proximidade do candidato: se é um parente. amigo ou colega.Há quem empenhe o seu voto, porque nasceu na mesma cidade do candidato e imagina que isso garantirá a melhoria de seu torrão natal . Ter a mesma profissão do candidato pode ser uma moeda de troca considerada legítima. Assim é que alguns candidato se apresentam como médicos, professores, capitães de polícia etc. Na verdade, cada um desses equivocados critérios pode garantir apenas condições para que o candidato se reeleja, distribua cargos ou apoie as candidaturas de sua mulher, irmãos ou  filhos nas eleições seguintes.

Não costumo trocar o meu voto por essas moedas que valem mais ao sabor dos planos econômicos, da inexistência de reajustes salariais que reponham perdas, da condições do meu bairro ou cidade etc Ser mulher, trabalhadora da educação, nascida na minha cidade, moradora de outra, aposentada ou amiga de candidatos não garantem o meu voto. Se não vejo em nenhum deles a capacidade de exercer o referido cargo, prefiro votar nulo. Houve um tempo em que dei meu voto para a legenda, que considerava ser a reserva ética do país. Isso se mostrou uma catástrofe. Serviu apenas para que eu aprendesse que não há grupo em que todos os seus membros tenham igual caráter moral. 

No entanto, a moeda mais esdrúxula de todas, me parece ser aquela que faz com que brasileiros votem na aparência física dos candidatos. A cada nova eleição surgem novas barbies loiras ou morenas e novos galãs concorrendo aos votos mas, aparentemente, mais indicados para serem os novos atores do malhação. Foi assim que, ao sair do dentista, tirei a foto do candidato abaixo: 



Para minha surpresa, não é que ele anda me convidando a ser sua amiga no facebook? Acho que, com a proibição de propagandas da marca de cigarros hollywood ao sucesso, Caso quisesse tornar as eleições mais irracionais do que têm sido, eu iria indicar o seu nome para os eleitores de Fernando Collor de Melo. Se fosse eleito, só me restaria desejar que trilhasse uma trajetória diferente daquela do ex-presidente, que para nosso espanto e indignação ainda está presente no cenário político nacional. 



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FICHA, COMPORTAMENTO E PROPAGANDA LIMPAS



A ficha limpa foi aprovada no Brasil, no entanto, não sei de políticos cujas candidaturas tenham sido impugnadas por não a possuírem. Então, resolvi pesquisar e encontrei a seguinte reportagem:

http://www.folhapolitica.org/2013/11/politicos-fichas-sujas-apostam-em.html

Porém, para mim, não basta que o candidato seja ficha limpa, mesmo porque, considerando a injustiça da nossa justiça, muitas fichas devem ter sido lavadas.No entanto, quero tratar de outro aspecto da limpeza na política:  a limpeza no processo eleitoral.


Um deles é o comportamento dos candidatos em relação aos seus oponentes em palanques, debates e outras manifestações. O comportamento da maioria deles está longe de ser considerado exemplar, limpo. Não é só o que eles declaram, mas o que é escrito e divulgado em favor ou contra eles. Esse me parece o aspecto mais difícil, considerando que os meios de comunicação, se não estão nas mãos de políticos profissionais, estão a seus serviços. Sabemos que não há comunicação neutra, mas nesse contexto, é inimaginável pensar em uma mídia isenta! O melhor exemplo disso foi a forma desrespeitosa como as candidatas Dilma e Marina Silva foram tratadas em  entrevistas ao Jornal Nacional. 



O outro é o quanto tais candidatos sujam as cidades, os estados, o país em ano eleitoral. Isso é um horror! A poluição sonora, visual e sujeira a que somos submetidos nesses períodos é nojenta. Não sobra muro sem tinta, por vezes, um candidato pinta a sua propagando sobre a pintura da propaganda de outro, os carros de som são infernais e, pior que tudo, é o gasto em papel, tinta e plástico. Nos último anos, a nova invenção é colocar placas sobre os jardins. Que coisa horrorosa! A cidade que a cada ano dispõem de menor número de áreas verdes, em função de um modelo de desenvolvimento que não considera a natureza como um bem importante e não só nosso, mas de todos os nossos descendentes, está tendo seus jardins depredados, melhor dizendo, arrasados a pauladas. Frente a isso, o que podemos fazer? Comentando com uma amiga, ela me disse que tem dirigido fazendo um exercício enorme de não olhar para os canteiros da cidade do Salvador. Eu, ao contrário, fico tão indignada, que tenho vontade de jogar pedras nos olhos das figuras sorridentes das placas. Antes, quando os políticos pousavam com caras sérias em suas propagandas, era menos ruim. Agora todos estão sorrindo e isso me parece ironia, sarcasmo, pouco caso em relação aos eleitores. A banalidade tomou conta de uma forma que ninguém parecre pensa quanto custou cada cartaz, cada minuto pago na mídia etc. Mas do que sermos privados de admirar o verde das nossas cidades, a conta será paga:  a natureza, incluindo nós, sofrerá pelos papéis retirados de fontes naturais, pelas tintas e plásticos derivados do petróleo, e as contas de tudo isso serão pagas na moeda do nosso suor, pelos que forem eleitos, a quem lhes emprestou, sejam empreiteiros ou empresários de outros setores. 

Sou favorável a que nenhum governante possa fazer nenhuma propaganda durante o período de eleição e, muito menos, sobre atividades durante a gestão . Se as obras forem prioritárias e feitas corretamente, o povo beneficiado por elas, não precisará ser lembrado de que elas se deram em seus governos, mesmo que não sejam tão aparentes. Afinal, além de terem pouca escolaridade o maioria dos eleitores nacionais é desmemoriada? A minha experiência, prova que, ao contrário, as pessoais chamadas de alfabetos funcionais, desenvolvem várias estratégias de memorização de conhecimentos importantes para sobreviverem no mundo letrado que os rodeia.  Afinal, os moradores de um bairro  não se lembrarão de que durante  o governo do Prefeito X , eles deixaram de conviver com o esgoto a céu aberto? Os cidadãos de uma cidade esquecerão de que  na gestão do governador Y, passaram a ter água encanada? De que durante a gestão do presidente Z, em um município qualquer, cada agricultor passou a ter cisternas que lhes permitiram conviver com a história seca da região? Cito como exemplo, o governador, Aécio Neves. Há um ano, fui ao estado de Minas Gerais. Além de conhecer Inhotim, um dos lugares mais maravilhosos do Brasil, o que mais me impressionou foi o número de propagandas do governo de Minas. Ele ainda nem era o candidato oficial do seu partido à presidência, mas as propaganda recorrentes nos mostravam o quanto já se movimentava para garantir isso!


Há vários exemplo berrante das limitações da democracia brasileira. Sermos obrigados a ouvir a propaganda eleitoral e a votar, são dois deles. A forma de distribuição do espaço de exposição na mídia é um outro exemplo. Até o dia em que todos os brasileiros forem obrigados a votar, mesmo que não tenham sapatos para ir à seção eleitoral, não lhes seja garantido o direito ao tratamento de saúde digno, não tenham dinheiro para o transporte, ou não possuam um nível de instrução que lhes permita compreenderem as propostas dos candidatos e as relações entre eles,seus partidos e a sociedade, não se pode elogiar a democracia brasileira, mas lamentar seus inúmeros limites. Sem que tenhamos qualidade na saúde, educação e outras condições de equanimidade para todos, mantemos tudo como dantes, no país de Abrantes.