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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

FICHA, COMPORTAMENTO E PROPAGANDA LIMPAS



A ficha limpa foi aprovada no Brasil, no entanto, não sei de políticos cujas candidaturas tenham sido impugnadas por não a possuírem. Então, resolvi pesquisar e encontrei a seguinte reportagem:

http://www.folhapolitica.org/2013/11/politicos-fichas-sujas-apostam-em.html

Porém, para mim, não basta que o candidato seja ficha limpa, mesmo porque, considerando a injustiça da nossa justiça, muitas fichas devem ter sido lavadas.No entanto, quero tratar de outro aspecto da limpeza na política:  a limpeza no processo eleitoral.


Um deles é o comportamento dos candidatos em relação aos seus oponentes em palanques, debates e outras manifestações. O comportamento da maioria deles está longe de ser considerado exemplar, limpo. Não é só o que eles declaram, mas o que é escrito e divulgado em favor ou contra eles. Esse me parece o aspecto mais difícil, considerando que os meios de comunicação, se não estão nas mãos de políticos profissionais, estão a seus serviços. Sabemos que não há comunicação neutra, mas nesse contexto, é inimaginável pensar em uma mídia isenta! O melhor exemplo disso foi a forma desrespeitosa como as candidatas Dilma e Marina Silva foram tratadas em  entrevistas ao Jornal Nacional. 



O outro é o quanto tais candidatos sujam as cidades, os estados, o país em ano eleitoral. Isso é um horror! A poluição sonora, visual e sujeira a que somos submetidos nesses períodos é nojenta. Não sobra muro sem tinta, por vezes, um candidato pinta a sua propagando sobre a pintura da propaganda de outro, os carros de som são infernais e, pior que tudo, é o gasto em papel, tinta e plástico. Nos último anos, a nova invenção é colocar placas sobre os jardins. Que coisa horrorosa! A cidade que a cada ano dispõem de menor número de áreas verdes, em função de um modelo de desenvolvimento que não considera a natureza como um bem importante e não só nosso, mas de todos os nossos descendentes, está tendo seus jardins depredados, melhor dizendo, arrasados a pauladas. Frente a isso, o que podemos fazer? Comentando com uma amiga, ela me disse que tem dirigido fazendo um exercício enorme de não olhar para os canteiros da cidade do Salvador. Eu, ao contrário, fico tão indignada, que tenho vontade de jogar pedras nos olhos das figuras sorridentes das placas. Antes, quando os políticos pousavam com caras sérias em suas propagandas, era menos ruim. Agora todos estão sorrindo e isso me parece ironia, sarcasmo, pouco caso em relação aos eleitores. A banalidade tomou conta de uma forma que ninguém parecre pensa quanto custou cada cartaz, cada minuto pago na mídia etc. Mas do que sermos privados de admirar o verde das nossas cidades, a conta será paga:  a natureza, incluindo nós, sofrerá pelos papéis retirados de fontes naturais, pelas tintas e plásticos derivados do petróleo, e as contas de tudo isso serão pagas na moeda do nosso suor, pelos que forem eleitos, a quem lhes emprestou, sejam empreiteiros ou empresários de outros setores. 

Sou favorável a que nenhum governante possa fazer nenhuma propaganda durante o período de eleição e, muito menos, sobre atividades durante a gestão . Se as obras forem prioritárias e feitas corretamente, o povo beneficiado por elas, não precisará ser lembrado de que elas se deram em seus governos, mesmo que não sejam tão aparentes. Afinal, além de terem pouca escolaridade o maioria dos eleitores nacionais é desmemoriada? A minha experiência, prova que, ao contrário, as pessoais chamadas de alfabetos funcionais, desenvolvem várias estratégias de memorização de conhecimentos importantes para sobreviverem no mundo letrado que os rodeia.  Afinal, os moradores de um bairro  não se lembrarão de que durante  o governo do Prefeito X , eles deixaram de conviver com o esgoto a céu aberto? Os cidadãos de uma cidade esquecerão de que  na gestão do governador Y, passaram a ter água encanada? De que durante a gestão do presidente Z, em um município qualquer, cada agricultor passou a ter cisternas que lhes permitiram conviver com a história seca da região? Cito como exemplo, o governador, Aécio Neves. Há um ano, fui ao estado de Minas Gerais. Além de conhecer Inhotim, um dos lugares mais maravilhosos do Brasil, o que mais me impressionou foi o número de propagandas do governo de Minas. Ele ainda nem era o candidato oficial do seu partido à presidência, mas as propaganda recorrentes nos mostravam o quanto já se movimentava para garantir isso!


Há vários exemplo berrante das limitações da democracia brasileira. Sermos obrigados a ouvir a propaganda eleitoral e a votar, são dois deles. A forma de distribuição do espaço de exposição na mídia é um outro exemplo. Até o dia em que todos os brasileiros forem obrigados a votar, mesmo que não tenham sapatos para ir à seção eleitoral, não lhes seja garantido o direito ao tratamento de saúde digno, não tenham dinheiro para o transporte, ou não possuam um nível de instrução que lhes permita compreenderem as propostas dos candidatos e as relações entre eles,seus partidos e a sociedade, não se pode elogiar a democracia brasileira, mas lamentar seus inúmeros limites. Sem que tenhamos qualidade na saúde, educação e outras condições de equanimidade para todos, mantemos tudo como dantes, no país de Abrantes.




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