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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

É PRECISO MUITA CORAGEM PARA SER HUMANO

Há mais de 15 anos, minha médica homeopata, Mônica Oliveira, em um momento muito difícil de sua vida, me surpreendeu dizendo: "Vera, você não é minha paciente por um simples acaso. Observe o que existe de semelhante entre nós:..." Era uma advertência as suas palavras, mas eu as entendi como um alerta máximo e passei a ter muito medo! Hoje, ela está mais segura, bonita e feliz do que naquele dia e eu... Ohh, eu levei anos presa nesse medo que já existia dentro de mim. Isso prova a existência de muito mais ruídos do que dizem os teóricos da comunicação. Lembro-me que nos olhávamos nos olhos, estávamos próximas, eu buscava sua ajuda e ela queria me ajudar, portanto, em uma situação ideal para que houvesse um diálogo entre nós e que o objetivo da comunicação fosse alcançado. Tempos depois, elaprópria sentindo-se talvez profissionalmente impotente, me recomendou que eu aceitasse ser tratada com medicamentos psiquiátricos (imagino o quanto pode ter sido difícil para uma pessoa com as crenças ela, fazer-me tal recomendação), mas o fez ao acessar a sua humanidade, do plano de seu amor por si e pelos pacientes que felizmente tinha e ainda têm)!
A partir de então, tive vários outros médicos: um bom em excesso, a ponto de se deixa manipular por mim e, desse modo,  não me ajudar tanto. Outro que me fez de cobaia me prescrevendo medicamentos com dosagens inimagináveis (as próprias farmácias de manipulação não conseguiam acreditar terem sido recomendados a mim, por ele. Uma delas, a Farmácia Flora, se negou a fazer o medicamento e aquela que o fez,  confirmou a dosagem com o tal médico). Essa medicação provocou um surto em mim, exatamente na época em que eu voltava para a minha cidade natal, após 30 anos de afastamento... (essa é outra história a ser contada mais tarde). Houve um médico em cuja sala de espera, eu passava mais de 2 horas  em pé e em contato com pessoas com quadros visivelmente mais graves do que o meu. Passei por médicas que, para ganharem mais do que lhe pagavam os planos de saúde dos quais aceitaram ser conveniadas, atendiam 30 pacientes em uma única manhã. Também fui atendida por outra que, mesmo recebendo pouquíssimo e nessa mesma clínica, me atendia por um longo período, não aceitava pacientes extras e era capaz de me ouvir e me tratar com o melhor do seus conhecimento, sabedoria e carinho. Outro existiu que, originário dessa mesma clínica, deixou todos os conhecimentos que havia aprendido das teorias psiquiátricas da Dra. Nise da Silveira, e tentou me preparar para um tratamento com internação e choques elétricos. Eu era a doente, mas fui capaz de ver as doenças que estavam por trás de cada um desses homens que queriam manipular a minha vida!
A primeira psiquiatra em quem confiei (pertencia ao ICEP da Pituba, hoje está na APAIS) não me permitiu duvidar de sua orientação e conhecimento. Mas ela tinha uma forma muito dura de tratar que me fazia lembrar vários mau-tratos por que eu  havia passado por longo tempo. Um dia, ela disse-me que eu deveria procurar outro psiquiatra. Eu saí de lá sentindo-me como uma criança rejeitada pela própria mãe. Mas por ter sido atendida por esses vários, diferente e senão incompetente, mas desequilibrados médicos, a ela eu retornei, suplicando que me atendesse novamente. Ela abriu uma exceção, porque não estava recebendo novos pacientes e em processo de desligamento do único plano de saúde que atendia há anos. Não coincidentemente, esse era o único plano de saúde pelo qual a Dra. Mônica atendia.


Eu sei que adquiri um pouco de conhecimento nas crenças que orientam a condução de médicos e nos empecilhos que dificultam uma comunicação perfeita entre mulheres e homens de diferentes profissão, conhecimento e origem, ao longo dessa minha trajetória de quase 40 anos. Portanto, concluo afirmando que: não é o que o médico te diz, mas em que lugar de fala ele se coloca. É também se o seu paciente se coloca como paciente inativo ou ser responsável pelo próprio destino. Não é apenas o conhecimento teórico do "doutor" o que conta, mas a sua intenção de ver os seus pacientes sãos e independentes dele. Se os olha com um viés de solidariedade, olhar bondoso e conhecedor de que eles também possuem suas próprias vivências e são seres capazes de partilhar a responsabilidade por seus processos de cura. Apendi, na prática e como cobaia, que o seu papel é o de ser parceiro do ativo-paciente nessas consultas. Trata-se de uma consulta, não de uma ordem ou mandamento, afinal! Esconder suas dúvidas e inseguranças obstrui esse caminho de encontro e parceria. O livro que melhor expressa o que digo tem o título 'Uma Mente Inquieta." e foi escrito por uma psiquiatra que teve a coragem de revelar ao mundo, que ela era portadora de transtorno bipolar e que isso não a tornava incapaz de ajudar as suas pacientes com igual diagnóstico.

Finalizando, semana passada eu tive uma conversa maravilhosa com a minha antiga e atual psiquiatra na qual ela me disse como foi a sua infância e o que a tornou uma mulher como é. Foi com muita alegria e amor que eu a escutei. Tentando aprender não só os conhecimentos que ela adquiriu na Faculdade de Medicina da Ufba, nos Centros Espíritas onde dá palestras, mas na melhor faculdade que é a vida. Tanto no caso da minha homeopata como no caso dessa psiquiatra, esses encontros só se deram porque sobra coragem a essas mulheres e a mim também. Coragem para partilhar o que sinto e observar o que são, para ouvir as minhas dores, para me verem como alguém capaz de promover a sua própria cura, porque não lhes falta amor no ato de falar e curar. Afinal, é Deus o maior conselheiro e médico. O médico de homens e de almas ou de espíritos. E sem amor, não haverá cura, mesmo que estejam juntos pacientes, psiquiatras, psicólogos e homeopatas. 

3 comentários:

  1. Foi o amor que nos uniu, foi o amor que nos religou, foi no amor que nos mantivemos juntos e é no amor que vamos permanecer sempre ligados. Não há explicação maior para termos sempre a preocupação de ver o outro bem, de termos os filhos sempre próximos. Sem ele nada seríamos, sem ele nada teríamos e sem ele também não amaríamos a quem não nos ama, porque não é preciso ser recíproco, basta sabermos que vale a pena amar!
    TE AMO!!!!!!!!!

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  2. Foi o AMOR VERDADEIRO, PURO, SINCERO dos poucos, porem de coracoes grande, que me fez destruir os monstros da minha pequena infancia!!!!
    Adorei!!!!!

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