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quarta-feira, 31 de julho de 2013

MEU PRIMEIRO SOUTIEN E A HISTÓRIA DOS MEUS CABELOS



Quem não se lembra dela?



1) da propaganda da VALISÈRE?                                                          Eu me lembro de uma garotinha que saía pelas ruas repletas de transeuntes com um olhar de extrema alegria e cúmplicidade consigo mesma, agarrada, não mais à sua boneca, mas a uma prancheta para esconder os seus peitinhos, agora e, enfim, envoltos no seu primeiro soutien...

Nascida Vera Lucia da Cunha Passos, eu comprei o meu primeiro soutien escondida da minha mãe. Isso aconteceu porque ela, para me controlar, me obrigava a usar corpete (uma espécie de camiseta de malha usada por baixo das bluas)  e me colocou em uma classe em que eu era a aluna mais nova, logo a única que não tinha peito nem precisava de soutien. A minha cúmplice nessa grande experiência de vida e passo em direção à feminilidade e o mundo adulto foi a lavadeira Iara - a rainha das águas da casa - com seus cabelos lisos e longos e, paradoxalmente, a mulher que tinha mais seios que eu conheci. Eram tantos seios que precisou, bem mais tarde diminuí-los porque seu peso afetara a sua coluna vertebral... Sim, na época não colocávamos implantes de silicone, nós escondíamos os nossos seios, quando nos pareciam estranhos à nossa cultura de mulheres arredondadas só na parte inferior do corpo - o modelo latino, o brasileiro. Hoje, como todos sabem, importamos o modelo americano e a grande maioria das mulheres coloca silicone... mesmo aquelas que já haviam recebido o título de Miss Brasil como  a minha homônima Vera, a Fisher. Parece-me que os seus precisam sair como setas, flechas ou FALOS no jogo ou na guerra de sedução e poder entre homens e mulheres. 
A época hoje dispõe de vários recursos para esconder ou negar os próprios seios. Há inúmeros disfarces: soutiens de bojo resgatados e modernizados da história de nossas avós como o foram os espartilhos atuais. Tem aqueles com base de arame, os de bojo com enchimento,  os falsos peitos de silicone que podem ser colados sobre os verdadeiros, lhes dando volume bem maior... até chegarmos à opção mais extrema: o implante cuja matéria prima vem dos EUA (essa deve ser uma das poucas matérias primas que importamos de lá... porque a via, o caminho usual entre matéria prima e materiais processados tem o sentido inverso)!
Lembro-me tanto desse meu primeiro soutien... ele era cor de rosa, tinha rendinhas e um lacinho bem no meio... eu o guardei na gaveta do quarto de empregada, da Iara das águas e da história... *

E quem não se lembra dela?

           Eu me lembro de uma ruiva com uma voz muito estranha e fanhosa que marcava os nossos ouvidos como unhas arrastando-se sobre um quadro de giz e dizia: vocês lembram da minha voz? Ela continua a mesma, mas os meus cabelos... quanta diferença!
Quando criança eu tinha cachinhos, depois, na adolescência, os meus cabelos ficaram mais lisos e eram sempre presos pela minhã mãe em um laçarote para que eu aparentasse ainda uma menina. Depois eram presos por elásticos (nada de Xuxas). Minha mãe era a dona da minha vida e os simbolizava através do controle dos meus cabelos. Ela decidia quando, quanto e onde os cortar e eu apenas obedecia as suas ordens imperiais. Na adolescência, apareceu a moda do cabelo cortado em camadas e as minha colegas os cortaram... e eu, a formiguinha da sala, só as admirava por essa autonomia e beleza. Até aquele dia.. em que eu fui, escondida é claro, até um salão próximo à rua Castro Alves, onde morava e também soltei e cortei os meus cabelos em camadas! 
Lembro-me do furor e dos elogios das colegas do colégio Sacramentina, quando me viram com o novo estilo e, mais do que tudo, da alegria interna que eu experimentava. Mas... tem sempre um mas em nossas vidas... minha mãe me pegou bem estratégica e disfarçadamente pelo braço e eu só me dei conta de tudo, quando estava em frente a um espelho com outra cabeleireira com tesoura em riste para dar a solução materna desejada naquela rebeldia e desalinho. Esta destruiu os meus cabelos e eu me vi tão horrível e desrespeitada que tive um descontrole emocional que causou a minha primeira menstruação. Acho agora que, como me impediam ou eu não tive forças para demonstrar que já era uma mulher por fora, meu corpo explodiu dando o sinal de que eu precisava ser uma mulher, ao menos por dentro! Minha mãe, muito cientificamente, constatados os fatos e o sinal vermelho da situação, me levou a uma ginecologista, para que ela me explicasse o que significava aquele sinal em sangue. Eu, muito obedientemente, fingi que não sabia de nada e voltei para a casa de onde iria embora, dois anos mais tarde, para enfrentar sozinha a minha vida, controlar o meu corpo e descobrir quem eu era de verdade. E, por fim, para escolher o(s) homem(ns) que teria(am) a permissão de tocar esse corpo que envolvia uma alma sagrada - só tocada por um deles. 
E devo dizer que esse caminho passou pelos neros, pelos bobs com os quais dormia e ia para a praia de Cacha-pregos no dia seguinte, até que eu fosse capaz de soltar a minha juba  (pois os sucessivos cortes mudaram os cabelos e eu voltei a ter cachos... muitos cachos), a ter e mostrar a minha juba de leoa, a minha liberdade de pássaro e os meus mistérios de esfinge.**

* tenho orgulho de ter amamentado, com meus peitinhos a minha filha, nascida prematuramente, por 10(dez) meses. Ao lhe lembrar que o seu primeiro soutien foi costurado e dado pela sua avó, aquela, a minha mãe... minha filha me relembrou que o seu primeiro soutien com bojo eu comprei e dei para a sua prima Diana, que era maior do que ela, embora tenham nascido no mesmo ano, mas... ...,mas ele não deu na minha sobrinha e terminou ficando para ela, a sortuda!

** finalmente, em junho passado, eu sucumbi às súplicas da minha filha de que queria alisar os seus cabelos encaracolados (eu e sua tia Vânia a chamávamos pelo apelido de Caracol, numa tentativa de que aceitasse os cachinhos de menina), não mais diariamente com o fazia  e com a pente de fogo, digo com a prancha, que comprou com a sua mesada... Ela estava disposta a pagar o seu alisamento com um processo químico e sem formol. Então, antes de ir para a sua viagem de debutante com origem no Brazil e destino na Disney da USA, eu precisei apanhá-la pela mão e a levar a um salão para garantir que iriam fazer um trabalho menos danoso ao seu visual.

CONCLUSÃO DAS HISTÓRIAS:

É PRECISO TER MUITO PEITO PARA SER MULHER NESSE MUNDO E NÃO SE DEIXAR ESMAGAR COMO BARATA, OU CUCARACHA, COMO SÃO DENOMINADOS OS LATINOS PELOS NORTE AMERICANOS E...

...É PRECISO TER A FORÇA DE UM SANSÃO E CABELOS REVOLTOS PARA ENFRENTAR A BATALHA DESIGUAL,AQUELA QUE TANTO NOS CONFUNDE ENTRE OS MODELOS DE MACHOS E FÊMEAS PARA CONSEGUIRMOS A COMPREENSÃO E FELICIDADE DA SINGULARIDADE E COMPLEMENTARIDADE DOS GÊNEROS!

(...continuando, agora- já à noite do mesmo dia- minha filha pesquisou os comerciais originais para mim, então passaremos do plano das lembranças para o plano da recuperação histórica do mundo virtual):
Comercial da Valisère:


Comercial da Colorama:



http://www.youtube.com/watch?v=A2ALKyLK82A

ACRESCENTANDO AS ÚLTIMAS NOVIDADES SOBRE O TEMA

this girl is on fire http://www.youtube.com/watch?v=mMp80G2q1Ks
Entrevista bombástica  http://www.youtube.com/watch?v=sHs8YKFdhSQ
as amigas http://www.youtube.com/watch?v=ybcrIA5ICLo
vers]ao masculina de Beonce http://www.youtube.com/watch?v=WGX0HQdDij4

4 comentários:

  1. Em lembro dos comerciais!
    Mas não lembro dessas situações que vc coloca, porque eu àparte de tudo que acontecia com vc tinha as minha "partes". Também tive os meus cachos "escondidos, ex-comungados ou simplemente alisados" na tentativa de fazê-los parecerem com os cabelos de uma "menina bonita", já que o resto do corpo não dava para remendar (ainda).
    Já não tive que ir ao ginecologista para "aprender" porque cabia à irmã mais velha ensinar à "irmã menos velha" a usar o protetor (só usar, explicar pra que?).
    Já o meu primeiro soutien eu não lembro já que nunca fui muito dotada e não me preocupava com o que ia aparecer, porque nunca tinha roupas que causassem esse furor! Esportivamente falando, eu que vivia correndo atrás da bola e não tinha muitas bolinhas para "segurar", só quando as bolinhas tinham que ser cobertas para podermos ir ao Cajueiro passar o dia nas piscinas!
    Enfim, como a vida nos mostra que o tempo é um santo remédio, anos mais tarde os meus lindos cachos viraram moda familiar, quem diria. E também no ritmo da moda, meus cachos foram trocados pelos fios longos provevientes de um alisamento, mas já conscientemente falando, porque sempre gostei muito deles, mas não há tempo para tudo e um pouco de tudo fica relegado a 2º plano quando não tempos tempo para tudo! Por enquanto tá ótimo, mesmo porque continuo não frequentando salões de beleza, seja para manter os cachos, seja para alisá-los.
    E assim seja.........

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    1. ADOREI, VAN, MINHA MMN! Eu dei milhos de gargalhadas com o seu lado da mesma história de dominação com as consequentes e diferentes forma de submissão e rebeldia...KKKKKKKKKKKK!

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  2. Vera,
    Adorei. Eu me lembro perfeitamente dos dois comerciais, que dizer depois que assisti por intermédio dos links postados por minha afilhada eu vi que tenho uma vaga lembrança dos comerciais, rsrsrs...
    Quanto ao soutien eu me lembro do meu primeiro, mas felizmente para mim a passagem foi tranquila, acho minha mãe me mostrou que já estava na hora de usá-lo, me lembro que eu queria mas não era nada de tão extraordinário era normal uma consequência do crescimento das "bolinhas", talvez o que tenha sido mais significativo tenha sido querer usar saias curtas que minha mãe obrigava a usar no joelho e eu muito obediente raramente dobrava na cintura, só depois eu descobri que era isso que minha colegas faziam, mas tem outras cicatrizes da adolescência que depois eu conto.
    Já quanto aos cabelos, isso sim foi traumático e marcante em minha vida. Primeiro foram as tranças, motivo de gozação por parte dos colegas, pois eram penteados monstros (?) (vejo que o que passei, hoje seria bulling), depois passei por alisantes de todos os tipos: pente e chapa quentes, esquentados no fogo; pastas; henês; massagens; alisantes caseiros tão fortes que passava numa mecha de cabelo o corria para lavar e ainda assim no dia seguinte o couro cabeludo estava ferido saindo líquido que eu chamava de aguinha e ficava com a cabeça cheia de cascão; permanente softshen que exigia o uso de um monte de creme que deixava o cabelo empastado e melecado (isso para garantir a durabilidade do efeito), o detalhe é que esse permanente era importado e depois era uma luta para comprar o creme (que só podia ser da mesma linha do permanente (?), o que deixava o cabelo empastado) e ainda era caríssimo, veja só o dinheiro que era pouco e eu poderia usar para me divertir eu estava depositando num cabelo hipoteticamente mais bonito do que o meu natural, o que Deus me deu.
    Até que um dia, no meu aniversário eu coloquei um monte de creme no meu cabelo, pra ficar mais arrumado (?) e durar o dia inteiro, aí quando as pessoas vinham falar comigo e me abraçar e eu me lembrava que estava com o cabelo empastado e melecado eu morria de vergonha e arrependimento.

    Hoje você conhece o meu cabelo, estou feliz com ele, uso apenas shampoo e aperto as mechas a cada três meses, atualmente a única coisa que me irrita é quando as pessoas pensam que é aplique e que o meu cabelo é artificial.... (será um sinal de que ele está bem na fita...?).
    Por outro lado a minha filha, sua afilhada por merecimento, eu resisti ao máximo para evitar que ela usasse qualquer tipo de química, até que ficou impossível, e lá se foi ela. Quero aqui lembrar que no dia do Alisamento de Liza eu estava com vocês e pra mim foi uma tarde muito agradável, lembra?
    Voltando à Ila, ela passou pelas químicas e relaxamentos da moda sob a alegação de que não conseguia pentear os cabelos que embaraçavam e parecia uma juba, mas a vida dá muitas voltas e há dois anos ela voltou para os cachos (embora ainda use um tipo de tratamento para deixá-los mais soltos), ontem eu perguntei para ela sobre como será no Canadá sem o tratamento e ela disse que nem tá ligando, que vai deixar natural, aí eu perguntei e quando voltar para o Brasil? ela disse talvez eu deixe ou relaxe, simples assim....

    E viva a liberdade, viva as voltas, ou cachos, que a vida dá e a beleza das experiências que adquirimos com o tempo.

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    1. agradeço à minha irmã Norma - fora da norma graças aos céus, quanto aos soutiens e cabelos pelo depoimento.É MUITO SURPREENDENTE SABER QUE DONA DETE, COM BEM MENOS RECURSOS E CONHECIMENTOS DO QUE A MINHA MÃE, NÃO TIVESSE TRAUMATIZADO A SUA FILHA EM RELAÇÃO AOS SEUS PEITINHOS CRESCENDO, E OS ACOMPANHASSE SEM SOBRESSALTOS. DIGO QUE NESSA ÁREA VCS FORAM MENOS CASTRADAS E MAIS AVANTAJADAS DO QUE NÓS!
      Já no tema dos cabelos, eu esperava um relato bem mais traumático, inclusive do que foram os meus, de Van, que levava até ovo cru nos seus cabelos e na marra, pois ainda não havia o colorama com babosa, imagina com o disfarçado aloe vera - falso esse nominho, né? Lembro-me dela sendo apanhada, digo, amarrada, depois de ser laçada como um boi, sendo que se tratava de uma garota forte e inocente como um touro -que queria ir brincar, subir nas árvores e até chutar pedras depois dos embelezamentos malucos da mamãe...Para a vergonha e espanto da irmã mais velha que queria se esconder atrás dos postes nesse belo passeio na Princesa do Sertão... Sabm que em parte das fotos do meu aniversário colocaram uma peruca de joaozinho nela pq os cabelos não estavam adequados e saídos do salão mais próximos? Mas vejo que nós ainda não tratamos de uma questão importante: o que é a praticidade dos cabelos para cada uma nos dias de hoje, cuja palavra de ordem é a rapidez, a velocidade no se vestir e sair. Particularmente acho que sair na rua com os cabelos molhados e ao vento - coisa impossível antigamente pois exigia-se um secador. Isso elucida as escolhas que fazemos e que elas deve ser respeitadas se representam que nos sentimos mais livres e soltas com elas... e desde que se tenha analisado criticamente o que eu sou? o que os meus cabelos representam na sociedade? o que eles representam para mim e a mensagem que quero lhe passar com a minha independente opção, vale até fazer chapinha só aos 53 anos como alguém que eu conheço de longe e de perto.. Desejamos que todas as nossas filhas sejam ruivas com cabelos lisos, sejam morenas com cabelos pintados de falsas loiras burras...sejam cabelos rasta criados ao longo de muito e muito tempo como o seu - sim o negócio é que ele está muito bem na fita e vc não se deu conta - enfim, desejamos que sejam felizes e conscientes de suas opções tanto aqui como em SEABRA, FEIRA DE SANTANA, ITAPETINGA, PORTUGAL, OU ATÉ NO CANADÁ(vamos pra lá, ILA, essa minha afilhada mais corajosa. Ciro quer seguir os seus passos, sim, na atualidade até os homens estão vivendo essas questões, gente. Não esqueçamos, mesmo que eles não saibam o que fazer com os seus pelos nas barbas e seus pelos pubianos e até nas pernas e peitos e pernas. È a revolução que surpreendeu a todos: homens com ou sem pelos na cabeça como na região pubiana, onde. eles representam uma forma de proteção da natureza...

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