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sexta-feira, 18 de julho de 2014

QUANDO SE FAZ SILÊNCIO PELO VERBO

(de Vera Lúcia Cunha Passos a Mário Celestino Valle e João Ubaldo Ribeiro)

FAÇAM-SE
A LUZ,
A VOZ
E O VERBO

CHEGUEM A MIM
MINHAS ESTRELAS
COM SUAS VOZES
 E OS VERBOS
QUE PLANTARAM
DE PORTUGAL
AO BRASIL
ONDE VIVE AINDA A VIDA.

VIVAS A ESSE POVO.

Quando eu me refletir,
que seja em teu espelho
revelador
vero
lux

Que matem a minha sede de ti
a cunha quebrada
em guerras que me destes
para apaziguar
com bandeirolas que ainda não sei segurar,
envergonhada que continuo sendo.
Mas que eu caminhe
apagando os passos
que só podem
e precisam
chegar até ti.

Quando me destes o verbo
foi para silenciar-me?
Foi para silenciar
os irmãos que o  me destes
pelo teu ventre criador?

Mas se me destes palavras, que seja para escrever a tua misteriosa mensagem.
Se me virem, que seja pelos teus olhos iluminados,
E se me sentirem, que seja pelo teu coração bondoso.
Caso me provem, que seja pelo teu palato de mel,
E se, por acaso, me  respirarem, que seja pelo teu ar de clorofila flor.
Quando, enfim, me olharem, que seja pelas tuas mãos de  MÃE DIVINA
E quando , por fim,  me olharem, que seja pelos teus olhos de PAI CELESTIAL.

Quando caminharem, que seja pela força dos teus braços, que me
carregam pela areias finas do mar dessa ilha sem fim,
cuja brisa tão poucas vezes me tocou,
isolada nessa praia, onde me cerquei  por águas que a tantos banharam.
Deitado nessa rede, de onde escuto as turbulentas
ondas desse país inteiro, que faço eu, perguntas-me a essa hora?

...

Que  seja pelo teu sopro que eu viva
que seja em teus passos,  que me leves às verdades,
À VERA, que eu caminhe
pelo infinito afora,
Nos braços que vêm de ti, para me dar sustento
Sob teto que vem de ti, para abrigar o meu corpo.

MEU CORPO QUE SEQUER EXISTE,
COMO PODE SER A CASA
DA ALMA QUE ME DESTES?

PARA ME CARREGAR.
E ME LEVAR ALÉM DESSE MAR.
ALÉM DESSA BRANCA E PURA AREIA, ACOLÁ,
MUITO ALÉM DESSA NEGRA E FORTE TERRA,
QUE HABITA NO MAIS PROFUNDO MAR DE MIM?

Que seja em ti, por ti e para ti,
por mim, para todos os teus filhos.
De mim, para todos os meus irmãos,
para aquela que se forjou minha mãe
mãe que eu cri ser, um dia,
para aquele que se julgou meu pai,
ao menos na tristeza que eu imaginei ter...
AMBOS IGNORANTES DA MÃE QUE ERAS TU!

De minha boca, só saia o teu verbo para todos os ouvidos
Em minha mente, só vagueiem pensamentos sobre a tua Matemática,
teoremas que silenciem todas as exatas vozes...
Línguas que só traduzam a técnica dos corações pulsantes...
E que da minha mente, saiam todas as vozes internas e anteriores
a mim que não tenham sido ligadas através destas tuas sinapses.

Se me deste estes dons, estes nefastos destinos,
foi para te servir, ó pai?
Para que eu pudesse me prostrar
pelos pais que me enviastes afora,
pelas mães que me emprestastes para me acalentarem,
pelos irmãos que me destes, para me mostrar quão grande é esta minha família?
Irmãos que me chegaram como meus irmãos em ti,
quando seus três filhos estiveram apartados
da mãe que os abandonou,
criança abandonada que era,
pela mãe que não era ela?

Quando nasci e abri meus olhos à luz,
ela me fez gritar o primeiro desespero,
chorar as nascenças das minhas imensas cachoeiras.

Com as letras que escrevestes em minha carne,
nas linhas dessas mãos, escrevo agora nomes
corrigidos pela tua gramática e pelas vistas
do vesgo olhar com que vim ao mundo
em meio às flores de abril dos teus campos.
(Perdão, se não percebi o espectro azul dos teus céus.)
Foi com esses dois precioso fins,
sucessivos renasceres,
que me destes a chance de ver tal luz sem medo?
Para! Apara essas águas!
Sei que  foi tudo para os olhos de todos os corações, enfim!

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