Follow by Email

domingo, 21 de outubro de 2012

A educação que dou e meus filhos não recebem!

    Tive dois filhos planejados e como toda mãe responsável, a educação, formal ou informal, deles sempre foi a minha preocupação primordial. Como professora, sabia que vários aspectos deveriam ser considerados na avaliação e escolha de suas escolas, portanto fiz diversas visitas observando vários deles como proposta pedagógica, salários, condições de trabalho, programa de qualificação e valorização dos professores, existência de biblioteca, e espaço para atividades culturais e físicas, valor da mensalidade, número de alunos por sala de aula, qualidade da comunicação entre escola e pais, qualidades dos alimentos vendidos na cantina, disciplina etc. Na maioria desses quesitos elas diferem muito pouco: os professores não são valorizados como deveriam, não há programa regular de capacitação e incentivo à sua constante qualificação, recebem salários incompatíveis e muito abaixo das suas responsabilidades, as cantinas vendem  alimento pouco saudáveis, as mensalidades são exorbitantes. Todas essas questões se agravam já no 2o. ciclo do Ensino Fundamental, mas no primeira é possível fazer algumas escolhas. Assim, a primeira delas feita foi pela Arco-Iris, no Acupe de Brotas, escola pequena que tinha animais porém não possuía cantina. Para que meu filho não tivesse que passar por um vestibular logo na infância, optei por matriculá-lo em uma escola que tivesse as 4 séries inicias. Aí começou um calvário que fez com que meu filho mudasse da Girassol para o Crear, a Via Magia e a Escola Nova Nossa Infância, sucessivamente. O Crear representou um oásis entre a Girassol e a Via Magia que se mostrou a pior delas porque tem a proposta mais avançada, um diretor muito preparado e a proposta mais avançada, mas cuja efetivação não se dá na prática para grande parte dos seus alunos. É uma escola que se diz centrada na aprendizagem do aluno, porém tem notas vermelhas, não dá um acompanhamento processual do desenvolvimento do aluno e, ao contrário, propôe logo no 1o ano, uma recuperação convencional e ineficiente como solução para os problemas não resolvidos quando o aluno apresenta dificuldades de aprendizagem! A Via Magia foi tão caótica na vida escolar do meu filho que ele, depois de ter saído de uma nota 5 para uma nota 9 em Matemática, depois de algumas aulas propostas e pagas à sua professora, lhe entregou, durante a festa de Natal, um boletim em que ele era colocado em recuperação de Ciências. O trauma provocado foi tão grande que ele saiu da prova, em que foi aprovado, com febre e vomitando, acometido por uma meningite. A última das escolas nesse ciclo foi a ENNI, uma excelente escola que, infelizmente, não pôde fazer muito por eles, já substancialmente afetados em suas auto-estimas e motivações para aprender.

     No ciclo seguinte e no Ensino Médio, o aspecto empresarial e comercial da maioria das escolas é ainda mais preponderante em detrimento de seus aspectos educacionais e humanistas. Descobri isso logo que comecei a minha pesquisa visitando as escolas Cândido Portinari, Oficina, Mater Day, a escola do Prof. Alceu e o Marista.  O mais grave de tudo isso foi constatar que a educação que eu dava a alunos da rede pública federal era muito melhor do que aquela que meus filhos recebiam estudando em escolas que custavam 50% do meu salário de professora. Decidi então pela última pelo discurso de uma das coordenadoras, o espaço físico e a proximidade de nossa casa. Devo admitir, por final, que embora com baixas expectativas essa escola ainda consegue frustrar o pouco que me resta e os meus filhos continuam nela pelo reconhecimento que tenho pela empenho individual e boa qualidade dos seus professores e por reconhecer pasmada que a educação particular no Brasil dia a dia se transforma em mais  uma mercadoria vendida cara e sem controle governamental
.


4 comentários:

  1. Pois é, Vera. Como você sabe, sou educador, há mais de 20 anos atuo em áreas interligadas no meu trabalho em pedagogia, arte e tecnologia e sinto grande nostalgia ao constatar com desespero que as nossas escolas públicas ou privadas, as nossas cidades, estados, o nosso país está colhendo os amargos frutos da falta de qualificação/educação de servidores públicos e trabalhadores em geral que, desvalorizados e mal pagos não encontram motivação para o trabalho, enquanto os políticos e governantes e mandantes ganham cada vez mais para administrarem o que não é mais administrável. Mas eu tenho muita fé na HISTÓRIA ou no Tempo, Tempo, Tempo... Bj. Heitor Guerra

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso mesmo Heitor, viver sem utopia não dá!

      Excluir
  2. Compartilhamos angústias, minha cara Vera! O jogo de interesses deturpa o sentido da educação, sobretudo no universo privado. É uma luta (quase) inglória ir de encontro aos índices e cifras, mas é nela que me encontro, e vou continuar. Abraços e obrigada pelo presente de ter Ciro conosco.

    ResponderExcluir
  3. Eu é que agradeço pelo carinho e dedicação de pessoas(professores) como você, Daiane.

    ResponderExcluir

Sem muitos gerúndios, longas esperas e musiquinhas, o seu comentário é, de fato, importante para nós! Fique calmo, pois não vamos desligar a nossa ligação virtual, ok?