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segunda-feira, 12 de abril de 2010

PASSAGEM DESBOTADA NA MEMÓRIA DAS NOSSAS NOVAS GERAÇÕES...


Salvador, 11h 45min do dia 08 de novembro de 2009


Embora polissêmicas, as palavras perdem seus sentidos, sem o contexto em que estão inseridas. O que significa ”terrorista” nos EUA, após o atentado de 11 de Setembro? O que significava “legalista” nos tempos do Regime Militar no Brasil? O sentido da palavra “guerra”, antes de 1914 é completamente diferente da idéia que temos hoje dessa eterna e presente possibilidade sobre nossas cabeças. Não é sequer a ideia que tínhamos na época da chamada Guerra Fria. É bem pior que ela! Durante o “período de paz mundial” que vivemos desde 1945, os homens têm se esmerado na arte da guerra, que agora é vendida com ares de neutralidade científica: chegamos ao ponto de ter empresas que lucram em fomentar e fornecer armamentos para duas nações guerrearem entre si!
Nessa noite, um e-mail me arrepiou, tirou o meu sono e me fez partir com a única arma que tenho: a palavra. Vejamos o campo de batalha - seu contexto: acabo de receber, pela internet, uma mensagem de título “DILMA ROUSSEFF e fotos das vítimas”. Nela, aparecem várias fotos de pessoas que foram mortas durante atentados, uma suposta ficha com dados pessoais de Dilma e um grande carimbo informando ”CAPTURADO”. Mais violento que as imagens dos corpos assassinados, numa época infeliz da nossa história, é o propósito de sua veiculação: imputar o título e histórico de “terrorista de alta periculosidade” a Dilma Rousseff e defender que não se vote nela para Presidente do Brasil!
Cabe uma pergunta a cada um que tiver o desgosto de receber tal mensagem. Cada um de vocês, com a idade de Dilma e os seus conhecimentos, teria a coragem dela de lutar pela utopia de um Brasil mais igualitário, renunciando sua vida pessoal e até correndo risco de morte? Ou, ao contrário, ficaria você do lado dos que legalmente a prenderam e torturaram? Sim, porque em regimes como o que vivemos no Brasil do Período Militar, não eram possíveis outras verdades além daquelas dos terroristas e dos legalistas. Então te pergunto, você tomaria qual dos dois únicos trilhos dessa estrada tão estreita, em que qualquer passo fora da linha poderia ser fatal?
Em 1964, eu tinha 4 anos. Como seria se tivesse 24? Eu te garanto: não sei que resposta dar à questão que te proponho. Sim, apenas 20 anos. Eles não foram suficientes para apagar o muro de Berlim do imaginário alemão, mas me permitiram ficar num local da infância, onde o Regime Militar só significava a impossibilidade aos homens de usarem cabeleiras longas. Hoje, sei que ele significou a negação de liberdades bem mais primordiais e a violação de direitos humanos, relembrados na memória de um BRASIL para NUNCA MAIS!
A lei da anistia passou, o samba de Chico Buarque e Francis Hime, qua a anunciava também. Mas, pela minha casa, essa mensagem não vai passar impune. Sem que eu me manifeste. Não a favor de quaisquer das mortes, sofrimentos e perdas dessa época, mas lembrando o apelo popular por uma anistia ampla, geral e irrestrita, pelas eleições diretas para presidente, o fato de termos eleito um trabalhador, apesar das esdrúxulas alianças e de todas as mazelas persistentes no nosso arcaico sistema político. Que possamos aprender juntos a fazer uma história diferente e cada vez melhor nesse país. Há 20 anos, nós, brasileiros, derrubamos um muro que nos impedia de votar para presidente. Basta de alegria fugaz. Vamos caminhar na evolução da liberdade até o dia clarear. A quem interessar possa, não pretendo votar em Dilma. Meu voto será de Marina Silva, uma mulher tão forte quanto ela, porém mais doce, mais feminina, no melhor sentido que essa palavra evoca. Militar ou Civil, o Brasil já foi, por demais, governado por homens. Quero outros valores dando NORTE a esse país!


VAI PASSAR!
Acesso o clip da música na voz de Chico Buarque em:

2 comentários:

  1. Tão ligada estou por esse (e)meio(l) que recebo em todos os meus (e)mail(s) essas informações e exatamente por estar (muito) longe de casa, só tenho o direito de votar no cargo maior do país. Mas como posso escolher quem gostaria de estar encabeçando essa cargo sem saber se cada um desses (e)mail(s) que me chegam, carregam informações verídicas, ou informações não tão verídicas. Informações pertinentes ou informações propositais!
    Quem divulgou essas informações queria passar adiante com que finalidade? Será que queria apontar culpados ou será que queria denegrir a imagem do objeto. Quem vota pensa realmente nessas coisas quando vai escolher, ou vota no mais bonito ou no mais simpático ou naquele que tem uma boa proposta a oferecer? A maioria nem sabe quais sao as propostas! Só se interessam por marcar no papel o seu nome para nao ter depois problemas com legalizações! Quem está na Suiça, em Portugal ou no Japão, na sua grande maioria, vai à Embaixada sem nem saber quais são os candidatos; vai para cumprir a obrigação legal e evitar maiores problemas. Então eu pergunto: vence aquele que tiver mais propagação positiva ou aquele que teve sua vida aberta ao público?
    No filme "Nothing Hill" Julia Andrews faz o papel de uma atriz famosa que em determinado momento se vê alvo de fofocas por descobrirem fotos que ela tirou numa fase inicial da sua carreira! São essas coisas que fazem o público pensar que o seu ídolo é "mau", mas a intenção que está por trás só sabe aquele que a divulgou! Não interessa em quem votarei, interessa que cada qual pense em quem acredita mereça sua confiança por aquilo que faria (ou tentaria) estando no TOPO de Brasília! Se possível for!

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  2. Veroca

    É isso mesmo. "Cure suas dores sem congelamento. Cure por dentro, onde tudo é mantido quente, vivo. Tire tudo de letro e de ouvido como quem tira uma música". Bjs

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