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quinta-feira, 3 de março de 2011

ODÔ, ODÔ, ODÔ, ODOYÁ!

Seus olhos me viram dançando na beira das ondas ao som dos atabaques dos terreiros e desejaram serem câmeras a registrar aquele momento em que eu sequer supunha ser observada. Seu desejo era de, mais tarde, poder me mostrar essa tomada para que eu me lembrasse de como sou em estado de leveza. Desde o alvorecer até a minha saída para o café coletivo em que se tentava conscientizar os vizinhos a coletar as fezes dos seus cachorros, quando os levavam em passeio pela praça do bairro, eu vi tantas coisas...

Vi a venda de bençãos com preços tabelados, a profusão de fotógrafos disputando espaço e as devotas performáticas experimentando as melhores posições para serem fotografadas, muitos baianos em dia de festa aproveitando a oportunidade para ganhar um trocado, vendendo produtos diversos, desde cervejas, refrigerantes, até passeios de barco e fitas da filha de Olokum. Na saída, me deparei com a visão chocante de um homem dormindo na areia branca envolto em um lençol azul turquesa.

E de que vinha a minha alegria de longe observada? Do breve encontro de paz com uma das expressões da Mãe Divina (a mãe de todos os Orixás na tradição Iorubá), da certeza de que iria rever e abraçar alguns amigos, da constatação de que o número de presentes de plástico vem diminuindo a cada ano e do varal em que um homem e uma criança expunham uma amostra do lixo com que sujamos a casa daquela que é venerada no dia 2 de fevereiro - dia de festa no mar. É preciso mais do que isso?

2 comentários:

  1. Não que nessa terra abençoada ela não seja parte integrante do dia a dia dos baianos, mas como o dia dela já foi a mais de 1 mes, não era essa a mensagem que pensava ler aqui. Em véspera de festa de Momo, era o mais pensável ser o motivo das suas belas, inteligentes, intrigantes ou surpreendentes palavras!
    Que venha Iemanjá saudar essa gente baiana, essa festa onde tantos proclamam a Bahia como a melhor terra para passar esses dias, mas que são dias em que há menos baianos do que imigrantes em solo natal. Boas festas a quem fica e bom descanso a quem parte! Vão e voltem tranquilos e mais dispostos para enfrentar os dias que se seguem pós-carnaval.

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  2. Veroca linda, posso ver cada cena descrita por você, sobretudo, a que descreve a sua alegria dentro de um vestido branco e alguns acessórios azuis. Eita como foi bom lhe ver exuberante, plena, dançando, regando a vida com tanto amor e intensidade. AMEI! Festejei meeeeeeeeesmo. Muito bom!

    Um beijo supercarinhoso,
    Sarinha

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