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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CONECTIVIDADE MIRIM

  
Dei carona a um jovem hoje à tarde e, no cainho, conversamos sobre a familiaridade com os recursos informáticos em função das idades. Eu relatei das dificuldades que tenho com novos recursos, apesar de ter sido um modo pioneira, quando comprei um computados da 2a. geração (286 com sistema DOS), na década de 80, e de ter concluído uma especialização em Informática Educativa, em um convênio com a Unicamp. Ele me relatou, que um sobrinho com dois anos já acessava filmes em um tablet e tinha celular com aplicativos como o whatsapp. Concordei com a evidência do que discutíamos no exemplo por ele apresentado, mas não cheguei a discutir as questões que esse fato me levantavam. Afinal, tivemos apenas o breve tempo de uma carona. Acredito que, apesar da natural facilidade que têm as novas gerações para acessarem computadores, tablets e celulares, não concordo ser um bom ato educativo essa iniciação tão precoce pela seguintes razões:

1. Desenvolvimento da fantasia: com a natural capacidade de fantasia que possuem as crianças, elas não precisam de muitos meios físicos para acessá-la;

2. Importância do brincar: ao brincarem as crianças desenvolvem sua subjetividade e, através de brincadeiras coletivas, articulam sua expressão e capacidade de se relacionarem, especialmente, com outras crianças; 

3. Estímulo à passividade:  esse objetos impõe às crianças uma atitude de simples receptores de conteúdos muito pouco educativos.  Agora,além de ficarem conectadas aos canais de tv, elas estão ligadas a outros meios os potencializando á obesidade. Mais do que isso, essas atividades lhes priva do contato amoroso com a família;

4. Potenciais perigos: a possibilidade de acessarem conteúdos inapropriados e entrarem em contato com pessoas com com más intenções;

5. Riscos físicos:  esses aparelhos podem representar perigos para a saúde das criança porque ainda não se sabe com precisão os efeitos do uso de celulares em nosso cérebro, há casos de crianças que se machucaram com fogo por dormirem com celulares ou por os usarem enquanto eles carregavam. Isso tudo sem falar do acesso à energia elétrica através de carregadores e com cabos;

6. Estímulo ao consumo de "brinquedos" caros; com a proximidade do dia da criança, tenho ouvido no rádio alguns anúncios de celulares ditos "muito baratos! Apenas 1700,00!" com vozes de criança os pedindo. Fico imaginando quais serão os desejos de consumo dessas crianças na adolescência;

7. Vulnerbilidade implícita: os celulares têm sido objetos muito procurados por assaltantes dado ao fato de várias pessoas os portarem e à facilidade de serem vendidos após o ato violento.


O mundo não anda lúdico, ao contrário, está visivelmente pesado e estressante. A necessidade de resgatarmos essa alegria infantil tem gerado não só estudos sobre Ludicidade, especialmente na área educacional, como empresas dirigidas a adultos, para que tenham contato com sua criança interior através de atividades lúdicas, como a Transludus. Portanto, acredito que a atividade que mais poderia beneficiar as crianças deva ser a participação em oficinas de construção individual do próprio brinquedos com materiais reciclados que além de lhes fazer refletir sobre o problema ambiental, lhes permitam não só a alegria de descobrir a sua potencialidade como criadores mas também a possibilidade de brincar coletivamente.  
         


                     

2 comentários:

  1. Legal, Vera, mas penso que ambas as formas de brinquedos devem ser estimuladas. Beijo ggrande. Fátima

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  2. Vera, é lógico que eu não poderia deixar de falar que uma revisãozinha de português cairia bem... rsrsrsrsrs... mas você foi bem completa nos riscos a que as crianças estão expostas. Eu acrescentaria o outro lado: a mudança de modo de raciocinar que surge com esses artifícios. Os filmes "futuristas" da década de 80 já anunciavam que todos seriam como robôs... A história da Literatura já nos mostra os movimentos pendulares da humanidade... Se o Barroco é cheio de rococós, o movimento seguinte (Arcadismo) é da simplicidade... Assim, depois de todos se tornarem quase robôs, voltará uma época em que se valorizará o contato humano, mas com a vantagem do aprendizado desse novo tipo de raciocínio, bem mais lógico e autônomo... Quem viver verá!!!!

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