sexta-feira, 3 de março de 2023

PROJETO MEXERAM COM TODAS

 

MEXERAM COM TODAS

As mulheres são alvo de violências em todas as partes do planeta, seja na Síria, no Brasil ou no Sudão. O que muda então? Mudam a intensidade e a forma, mas a dura realidade de ser mulher em sociedades patriarcais não mudou ainda não.

Segundo a bíblia, o mundo foi feito por intermédio do verbo. As coisas começam a partir da palavra: pensamos com a palavras, sonhamos com palavras, desejamos com palavras, colocamos o desejo no mundo através da palavra e, só depois, o que era palavra se materializa em algo mais concreto do que ela. No entanto, a palavra pode ser veículo de utopias ou de distopias, de opressão ou de libertação. O projeto “MEXERAM COM TODAS” tem na palavra nas formas oral e escrita o seu instrumento transformador. Através dela visamos encorajar mulheres a tomar consciência dos acontecimentos em que foram desrespeitadas apenas por serem mulheres em um ambiente de machismo estrutural, para que a partir de seus relatos, possam buscar caminhos para trazer para o real a possibilidade de um mundo mais igualitário entre homens e mulheres.



Nesse sentido, em agosto de 2022, realizei a realização a oficina"Escrita Terapêutica para Revelar e Combater a Violência de Gênero", no III Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE, na cidade de Fortaleza.   Nela, convidei 40 mulheres a escreverem um relato de uma situação de violência que sofreram, misturei os textos sem identificação de autoria e os distribuí aleatoriamente. Cadastrei todas elas em um grupo no whatsapp de nome “Mexeram com todas” e pedi que nos enviassem áudios lendo os relatos recebidos. Desse modo, visava estimular a sororidade em todas nós.

Para que esses relatos nao ficassem restritos ao pequeno grupo e fossem ouvidos por pessoas de todos os gêneros iniciei a Etapa 2 do projeto "Mexeram com Todas". Assim, para marcar esse Mês da Mulher de 2023, de uma forma menos folclórica e mais reflexiva, em cada um dos seus 31 dias, um  relato está sendo divulgado sem identificação da autoria do texto nem da voz que o lê.    Penso que essa é uma boa iniciativa para marcar a necessidade de luta pelos direitos da mulher, tão ameaçados nos últimos anos, inclusive com o aumento do número de feminicídios.  Considero que, mais do que engrandecer a beleza e força femininas, é necessário que outras mulheres que sofreram ou sofrem abusos se fortaleçam para denunciá-los, deixando claro que a dor de uma de nós mobiliza a nossa dor, assim como a força de uma fortalece todas. Os podcasts com os relatos podem ser ouvidos no Spotify. Sua repercussão sinaliza que é preciso dar continuidade a ele, orientando novas oficinas e, com a permissão das participantes, tornando público os seus resultados. A quem considerar relevante a iniciativa, solicito que participem do projeto, seja enviando textos, gravando outros ou apenas divulgando o projeto.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

UM NÃO QUE ERA SIM?

UM NÃO QUE ERA SIM?

                                                                                                 
 Ainda lembro bem. De mãos dadas e usando mortalha iguais, seguíamos uma banda no bloco. Quando passamos na frente do clube mais antigo da nossa cidade,   encabulada,   rompi o silêncio e disse: “Hoje é meu aniversário”,   ao que ele   respondeu:  “É o   meu também”.   Descobri que não mentia, décadas depois,  quando  me  enviaram o  link  do seu  perfil  no  facebook. Em algumas  fotos  antigas  era  exatamente  como eu o conhecera: bonito, de cabelos longos.


Como sou uma nostálgica e romântica inveterada, sempre cultivei as lembranças daquele primeiro amor que foi totalmente platônico. Além das mãos, a maior intimidade que tivemos foi no dia em que eu andava de bicicleta próximo à sua casa, seus amigos seguraram a minha bicicleta, ele me deu um beijo no rosto e saiu correndo.  Fora isso, eram sempre danças em carnavais ou festas de réveillon em que, calados, brincávamos no salão circular ao som de marchas de carnaval. No final, ele sempre me pedia em namoro e, como de era posto na moral social para as moças direitas da época, eu dizia que iria pensar.  Eu  bem sabia que  a minha resposta compulsoriamente seria um NÃO, mas durante o intervalo solicitado para pensar, gostava de sonhar que poderia ser um SIM. Um SIM que os meus pais jamais permitiriam, claro. 

  A paixão entre nós era conhecida na cidade. Lembro de uma conversa entre          meu pai e cerca de oito amigos na sala de nossa casa, em que me diziam: com o    filho de (nome do pai dele), não.Você pode namorar com o filho de Fulano ou     Beltrano, ambos, obviamente, amigos do meu pai e presentes na sala. A mim     restava apenas   ouvir.  Só a   perplexidade com os comentários era diferente   naquele meu hábito de só ouvir.


A tecnologia foi tornando cada vez mais fácil uma comunicação entre nós. E eu confesso que gostaria de lhe perguntar sobre o que foi para ele aquela experiência tão ingênua, de talvez rirmos juntos dos costumes da época etc. Tenho uma curiosidade de saber como o outro me via, que impressão tinha da minha realidade, como interpretava o meu comportamento... Talvez isso se dê só por uma necessidade de conhecer o meu passado para melhor compreender a argamassa que compõe as paredes que dão sustentação àquilo que sou hoje. Há muito sei que aquela pessoa não combinava com o ideal de companhia que, já naquela época, eu queria para mim. Mas ainda acho estranho não ser possível sequer uma conversa amigável, com uma pessoa que por anos foi o motivo dos meus suspiros juvenis.



Agora que ele já não tem cabelos e eu já não chamo a atenção, quando entro no salão, as  novas  tecnologias  me  permitem  constatar  que  nos  tornamos seres totalmente antagônicos em termos de valores e visão de mundo. E eu me pergunto em que circuito da festa momesca, o que foi paixão se tornou apenas serpentina no chão e suponho que aquele “NÃO” era mesmo para ser “NÃO”.


segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A LOUCURA DAS PALAVRAS


 

Se substituída por um sinônimo, uma palavra nem sempre tem o mesmo significado. Ele pode sugerir outro sentido, algumas nuances a mais, mudar a intensidade, soar estranho etc. É isso o que acontece com “histeria”. Qualquer busca, seja em dicionário físico ou virtual, vai te levar a sinônimos como “nervosismo”, mas os exemplos serão quase todos no feminino. Quando você escutou a frase: “Ele está histérico!”? Compare com a frequência com que ouviu a mesma expressão associada às mulheres. E convenhamos, dizer que alguém está nervoso não tem o mesmo peso que dizer que essa pessoa está histérica, não é mesmo?

Na antiguidade, o termo “histeria” foi cunhado a partir da palavra “útero” e em seu livro “Estudos sobre a histeria”, Freud apresenta os resultados de estudos com 5 pacientes: Anna, Elisabeth, Emmy, Lucy e Katharina. O livro foi publicado em 1895 e desde então, embora o conceito psicanalítico da histeria tenha evoluído bastante, até hoje o adjetivo correspondente continua sendo associado às mulheres. Por que isso se dá? Certamente não é só pelo desconhecimento da evolução desses estudos, mas porque não houve tanta evolução no modo como é avaliado e controlado o comportamento feminimo.

As mulheres não ficavam simplesmente nervosas, ficavam histéricas. E sendo a histeria considerada uma patologia era fácil recorrer à internação para conter seus comportamento e corpos considerados socialmente inapropriados.  Esse é o tema de projeto da poeta Isabela Penov, aprovado pelo Itaú Cultural. Isabela fez uma pesquisa em arquivos de manicômios brasileiros dos últimos 100 anos nos quais observou que os diagnósticos e internações de mulheres eram feitos tendo como base os relatos de seus pais, maridos e irmãos. O projeto incluiu uma live em que a psicanalista Monik Sittoni discutiu a relação entre o feminino e a Psicanálise e outra de título “Mulheres no Avesso da Razão” com as escritoras Micheliny Verunschk e Yonina Staseviska, além de uma oficina de escrita com mulheres de várias cidades do país. Eu tive a satisfação de partilhar a experiência com essas mulheres. Mulheres que têm em comum não só a experiência de sofrer o estigma da loucura feminina, mas também o uso da palavra como um remédio para suas dores. Os textos resultantes da oficina estão reunidos no “Manual Prático de Desvarios”, disponível no link abaixo:

                                           Manual Prático de Desvarios

No dia 04/12/22, no Instituto Sarath, em São Paulo, Isabela Penov fará o lançamento do livro "Compêndio para Moças de Olhares Lânguidos", resultado desse trabalho. Um programa para quem não tem medo de encarar as irracionalidades da nossa realidade e seu reflexo nos campos mais sutis como o das palavras. 


quinta-feira, 19 de maio de 2022

EU GOSTO DE SER MULHER

 
"EU GOSTO DE SER MULHER...`"
MARINA LIMA




Na semana passada eu estava dirigindo e em um programa da rádio Nova Brasil eles pediam aos ouvintes que mandassem mensagem dizendo que músicas os definiam. Imediatamente eu pensei em ”O lado quente do ser”. Há várias músicas que falam de Veras, entre elas tem "Paula e Bebeto" que é animada como eu sou, por natureza. Quando eu fazia Matemática na Ufba, me chamavam de Vera Gata por conta da música de Caetano, mas essa me define melhor. Pelo que me recordo é uma música de Marina Lima. Ainda guardo o disco vinil com capa P&B em que ela a lançou. Maria Bethânia gravou uma versão um pouco diferente, mas igualmente bonita. Também me lembrei de um fato que aconteceu em uma sapataria junto ao Forte de São Pedro. Isso se deu há uns 40 anos e à época eu morava nas proximidades. Eu cantarolava essa música enquanto experimentava uma sandália e a pessoa que me atendia perguntou se eu sempre cantava. Eu lhe respondi que sim e que quando não estava bem, eu cantava  músicas tristes. Não é verdade. Eu adoraria, mas não é  verdade. A tristeza muitas vezes me emudece. Nas piores fases não escrevo, não leio e, obviamente, não canto.  Por vezes sequer ligo o rádio do carro.  
Chico Buarque definiu muito bem esse estado em Roda Viva: ”Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...”. É uma pena que eu me concentre mais no início da música e não no seu refrão que afirma que o mundo roda em um instante. Mas faço sessões de musicoterapia e já aconteceu de  sair melhor apenas ao ouvir o profissional dedilhando uma canção qualquer ao violão, porque a minha miopia mental a apagara do horizonte, e foi renovador conseguir corrigir o foco. Por isso sou muito grata aos musicoterapeutas Luiz Flávio Prado e Renan Ribeiro.  
Ahh, eu gosto de sua uma mulher que mostra mais o que sente, mas nunca quis ser bailarina. A minha grande frustração é não ser cantora. E nem precisaria ser tão maravilhosa quanto Marisa Monte, bastava que ao cantar eu me transportasse para um vilarejo onde pudesse andar e voar!


PRA ACALMAR O CORAÇÃO, LÁ O MUNDO TEM RAZÃO..."
Marisa Monte


 



domingo, 31 de outubro de 2021

HALLOWEEN NO BRASIL?

 


O texto abaixo foi escrito e publicado no jornal estudantil "Lente Azul", no Cefet-Ba em outubro de 2004:. Eu o republico aqui porque ainda me parece atual.

HALLOWEEN NO BRASIL

Conhecer, sim. Imitar, não. Na entrada do Supermercado Bom Preço do Canela, existia uma loja com um pequeno letreiro onde estava escrito “SEW & HEEL (QUICK)’. Achei curioso encontra, na Bahia, uma loja com o nome totalmente em Inglês e me perguntava quem procuraria os seus serviços, uma vez que a grande maioria da população brasileira mal sabe ler. Depois de algum tempo, voltei ao local e vi queo letreiro da loja fora substituído por dois maiores que continham a expressão “Sapataria do futuro”. É bom explicar que o verbo “to sew” significa costurar, que “Heel” significa salto e “Quick”, observem bem, não “Qwik”, pretendia expressar que o serviço era rápido. Eis um letreiro cuja mensagem não cumpria o seu objetivo de informar e persuadir. Sempre conto essa pequena história e pergunto aos meus alunos se eles procurariam a loja caso lessem o primeiro letreiro ao que me respondem que não, por não saberem de que se trata. Olhem que eu faço a pergunta para estudantes do Ensino Médio ou de Cursos Profissionalizantes. Imaginem o que significa tal letreiro para a grande parte da população baiana, que não teve as oportunidades educativas deles. Essa é um bom exemplo do uso da língua estrangeira como elemento de exclusão social. Como professor Pasquale Neto, concordo que palavras em idiomas estrangeiros devem ser usadas quando não há equivalentes na língua portuguesa. A uso da língua é um dos elementos que definem a nossa identidade pessoal, a nossa identidade cultural e os nossos valores. Não se trata aqui de defender a proibição do uso de estrangeirismos, mas sim de evitá-los sempre que possível., visando melhorar a qualidade de nossa comunicação e valorizar a nossa cultura. Como professora de inglês compreendo que posso contribuir para o entendimento do mundo globalizado, onde o inglês é a língua de uso corrente, mas não considero ser de minha responsabilidade fomentar o estímulo ao seu uso em situações desnecessárias e até prejudiciais. Do mesmo modo, distingo bastante a necessidade de conhecimento de línguas estrangeiras daquele de importação de palavras e valores culturais estrangeiros. Porque ensino inglês, não vou “americanizar” os estudantes. Pelo contrário, sempre lhes propicio leituras e discussões que permitam uma análise crítica da realidade da superpotência do mundo atual, a exemplo do livro “Stupid White Man – uma nação de idiotas” de Michael Moore, um dos mais ferozes críticos atuais do estilo de vida americano (American way of life) cujos filmes “Booling for Columbine” (Tiros em Columbine) e Fahrenheit 11/09 foram bastante premiados nos últimos anos. Por tudo dito anteriormente, nunca promovi ou estimulei as iniciativas de halloween em nenhuma das escolas em que lecionei. Para aqueles que não conhecem a festa, trata-se da celebração, nos EUA, do dia das bruxas na véspera do Dia de Todos os Santos, na qual enfeitam-se as casas com abóboras ocas, e crianças vestidas de bruxas ou de outras figuras assustadoras visitam as casas, pedindo doces e ameaçando fazer malvadezas caso não sejam atendidas. Programo, para as últimas semanas de outubro, a leitura e discussão, em aula, do ensaio de Roberto Pompeu de Toledo na revista Veja de 06/11/96, cujo tema é belissimamente abordado: ”festejar halloween no Brasil é coisa de basbaques. Assim como saborear ”vanila”, vender “off”, despachar “delivery’. É coisa de imitadores. Ainda se fosse para imitar o que a civilização americana tem de fundamental, como o respeito à lei e á ética do trabalho, vá lá”, diz ele. Temos uma cultura muito rica e pouco valorizada, e não compreendo o sentido educativo de apenas reproduzi um evento cultural de outro país. Além do que, não se fala inglês só nos Estados Unidos, quase todo o sul da África fala esse idioma e, considerando a origem dos nossos ancestrais, seria mais sensato buscarmos conhecer, não imitar, as expressões culturais desses países. Querem fazer, não um Song Fest, mas um Festival de Música, um ciclo de filmes instigantes em língua inglesa, uma festa com reisado, capoeira e forró? Contem comigo. Mas se a proposta é holloween, como dizem os estudantes no nosso português da oralidade: “Tô fora!”

 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

KAIRÓS: TUDO EM SEU TEMPO

    Comprei Kairós, último livro de Vladimir Queiroz, assim que ele foi lançado, no final de 2020. Não por coincidência, mas por sincronicidade, algo peculiar se deu: antes de receber o livro, encontrei a palavra do seu título, cujo sentido desconhecia, em um dos dois livros que estava lento, justamente em um parágrafo que deixava claro o seu significado. Como Vladimir tinha me pedido que lhe mandasse uma foto quando o tivesse em minhas mãos, imediatamente pensei em fotografar seu livro sobre a página do outro, com a palavra em destaque. No entanto, como estava muito deprimida, não tive ânimo de levantar da cama para pegar um lápis e assinalar a página. 

                                                           



    Quando o livro chegou, ele passou pelo protocolo de segurança contra a Covid-19 que utilizávamos em relação a todas as compras e correspondências: entrada pela garagem, álcool gel em embalagens plásticas, lavagem e imersão de frutas e verduras em solução desinfetante e quarentena no que não pudesse ser molhado. Obviamente o livro passou pelo último procedimento.

    À época, estávamos no meio de uma reforma e todos os materiais de construção eram armazenados na garagem. Passado um período razoável, procurei o livro e não o encontrei. Como temos muitos livros, aproveitamos o momento para doar parte deles. Foram três caixas grandes e cheias. Como ele continuasse desaparecido, comecei a ficar preocupada porque precisava fazer a foto, pois não queria deixar de satisfazer um pedido simples de uma pessoa que sempre foi atenciosa comigo. No entanto, passei a temer que o livro tivesse ido junto com as doações... Envergonhada, quando ele me ligou reiterando a solicitação, disse-lhe que todos os livros tinham sido empacotados por conta da bagunça e logo lhe enviaria o prometido.


    Só em maio, depois daquele que foi o maior período em depressão por que passei (seis meses), comecei a fazer a arrumação das minhas coisas pessoais. Por fim, no início desse mês agosto, resolvi organizar os meus livros: no escritório, os de Matemática e Inglês instrumental e literatura infantil; na sala, os clássicos; em um armário especial, os livros de poemas; nas estantes do quarto, os mais queridos e nas prateleiras da cabeceira da cama, aqueles que estávamos usando. Com alegria, descobri o esconderijo do fujão, peguei os outros dois livros e corri para tirar a foto. Pela minha lembrança, a palavra estava escrita no meio de uma das páginas da direita de um dos dois livros. Percorri um deles e não a encontrei onde julgava estar. Peguei o segundo livro e fiz o mesmo. Nada! Voltei ao primeiro e olhei em todas as páginas. Depois de varrer feito scanner ambos os livros, desanimada, resolvi compor a foto com os três e escrever esse texto. Não resisti à vontade de tirar outra foto, colocando exemplares das duas edições do meu livro “PROSAC – Letras em cápsulas”, ao lado do dele. Afinal, todos eles foram lançados na mesma época, em Kairós.



    


sexta-feira, 16 de julho de 2021

LIBERTE O FUTURO

Ano passado Eliane Brum lançou o movimento Liberte o Futuro e convocou as pessoas a enviarem vídeos sobre um futuro. Não participei, como planejara, mas escrevi o poema abaixo:


FUTURO

 

Ponho o mundo no colo

Para conter o seu pranto.

Massageio seus músculos exaustos

E lhe sussurro acalantos

Para que resista à sedução do algoz*.

 

Folheando as páginas do céu,

Conto histórias de uma estrela

Cuja abundância é partilhada,

E terra, água e ar ainda são crianças.

Onde inteligência e dolo não se irmanam,

E a justiça foi demitida por justa causa.

 

Ele confia e adormece sorrindo.

Tem sonhos mais belos do que os meus.

 

*o algoz somos nós.