segunda-feira, 9 de agosto de 2010

FLOR AMOROSA


BOM DIA, FLOR AMOROSA. ONTEM FOI O SEU DIA!


Queria poder enviar, em todas as manhãs deste ano que se inicia, 50 exemplares de delicadas orquídeas imagéticas (como estas por mim colhidas) só para ELA, a leonina magestosa e guerreira, porém doce e generosa, que nasceu do mesmo útero que eu.*

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Meu desejo é que o perfume dessas flores tenham a sutileza e a persistência para atravessar o Atlântico, pedir desculpas pelos nossos ancestrais nas proximidades da África e adentrar os solos lusitanos de modo muito leve e humilde. Não para dominar terras, apenas como conquistador de corações que estão ligados pelos laços do Incognossível, daquilo que nos permeia, dá sentido e substrato. Do que vem da Energia que faz de cada ato, uma matéria para novas descobertas e aventuras nessa viagem singular que é a vida.
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PARABÉNS, MANA. ONTEM, HOJE E SEMPRE!

domingo, 1 de agosto de 2010

DOIS CONTERRÂNEOS


Como nos elos de uma corrente de papel de seda junina, também na vida os fatos vão se unindo em uma cadeia colorida. Vivi minha infância em uma rua com o nome do poeta dos escravos, que fica próximo ao antigo Museu Regional de Feira de Santana. Nele minha mãe adquiriu um quadro de Juraci Dórea. O sertão é o foco de sua temática e, há dois anos, quando recebi uma encomenda de 10 camisas com estampas artesanais, quis usar como inspiração as figuras dos quadros dele. Pensei em lhe pedir autorização, em lhe mostrar as blusas como uma homenagem ao seu belíssimo trabalho, mas não tinha seu contato. Há cerca de um ano, a convite da ONG Cipó Comunicações Interativas fui com Jina Carmen e a responsável pela Agência do Sertão, Sarah Carneiro, apresentar a poesia "Lua Nova Demais*" no Clube de Dirigentes Logistas em um evento de combate ao trabalho infantil. Só então. eu vi a cabra, o peixe, a lampião, o peixe e as casinhas que haviam sido transferidos através de linha e agulha dos 2 painéis originais de sua autoria. Meses depois, pesquisando baianos para compor o recital "Canto Quase Gregoriano", descubro surpresa que Juraci também é poeta. Como nao encontrei seus livros, pesquisei na net algumas de suas poesias e as levei para seleção nos ensaios da Escola Lucinda de Poesia Viva.
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MÓBILE
......... ........Juraci Dórea
...
TANTA VIDA
E UMA CANCELA A BATER
DISTANTE.
-
AH, TANTA VIDA
E ESTE SILÊNCIO A MUTILAR
A NOITE.
-
TANTOS SONHOS
E UMA FACA A NOS CERCAR
NO PÁTIO.MÓBIL


No último
Arraiá Culturá do IFBA, organizei um concurso de quadras juninas. Para ilustrar as quadras que exporia como modelos, incentivando os estudantes a se increverem, decidi colocar desenhos do pintor. Ao buscar imagens, li que Carlos Pitta lhe havia dedicado um disco. Julgando serem poemas musicados, perguntei a Carlos Pitta que me disse ter apenas dedicado o cd ao amigo e ainda me forneceu o telefone de Dórea, dando-me a chance de falar com o homenageado, de descobrir que é amigo de uma prima minha, Iara Cunha, de lhe enviar o brinde da barraca e ainda ter o contato para uma possível entrevista para a Rádio IFBA.
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-***Êta, corrente bonita e comprida!


* No youtube é possível ouvir o poema na voz de sua autora.

P.S.: Para quem curte um bom forró, segue o link Carlos Pitta. No meu São João, a belíssima gravação de "Guabiraba" é como pamonha, não pode faltar: www.myspace.com/carlospittaforro
Vale lembrar que ás 20h do dia 26/08, Pitta estará apresentando um Pocket Show (acústico), resultado de uma apresentação em Montreaux, no CUCA da UEFS.
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terça-feira, 27 de julho de 2010

MAIS E MAIS OS CANHÕES DE AMARALINA...

MARINHA -------------- ------ -------------------MARINHA

--- --Ruy Espinheira Filho ---- ------------Aleilton Fonseca

"Meus olhos testemunham-------- ---Piso na areia fina,
a invisibilidade das ondinas-----------Por onde caminhou o poeta,
a lenta morte dos arrecifes-------- ---E a praia de suas ondinas
e os canhões de Amaralina. -----------Me recebe de ondas abertas

Vou, a passo gnominado, ------------Meus olhos testemunharam
pisando a areia fina da praia. --------Os rastros dos versos na areia;
Pombas sobrevoam ----------------Nem uma pomba, só andorinhas
os canhões de Amaralina. -----------E o mar murmurando espumas

Parece a vida estar completa -------Os arrecifes esperam, sobrevivos,
na paz que o azul ensina. ------------Enquanto o sol suave declina:
A brisa ilude a vigilância ------------Tudo em volta me contempla...
dos canhões de Amaralina. ----------(e os canhões de amaralina?)

Nem a tua ausência, amor, pertuba----A brisa ilude a distância
esta alegria matutina -----------------Que no espelho se admira;
onde só há o claro e o suave... ---------O azul ignora a ferrugem
(E os canhões de Amaralina?) ---------Dos canhões de amaralina

Tudo está certo: mar, coqueiros, --Tudo está certo: mar, coqueiros,
aquela nuvem pequenina... --------Como o poeta nos ensina:
Mas - o que querem na paisagem - Mais ainda sobram na paisagem
os canhões de Amaralina?" ------- -Os canhões de amaralina

Meus sentidos foram dirigidos para essa conversa poética entre dois baianos por Paulo Andrade. Este baiano se exilou espontaneamente no estado do santo do seu nome, é professor, doutor em literatura e publicou o livro Torquato Neto - uma Poética de Estilhaços pela Fapesp em 2002.

terça-feira, 20 de julho de 2010

DIA DO AMIGO

No dia do amigo, sugiro brindarmos com o poema CÁLICE do
escritor baiano, natural de Rui Barbosa e professor da UEFS,
ANTÔNIO BRASILEIRO*:


CÁLICE

A vida não tem roteiros,
só velas que nos acenam
do mar.

Escuta, amiga,
o desfiar das horas:
elas te dirão é tua
é tua a vida.

Toma-a (como se toma
um cálice de rosas)
na mão.


*http://www.antoniomiranda.com.br/sobreoautor/sobre_autor_index.html
http://a-brasileiro.blogspot.com/

domingo, 18 de julho de 2010

CORREÇÕES NECESSÁRIAS


Ontem fui à Av. Joana Angélica comprar tinta para a impressora e aproveitei para dar uma olhada na espremida prateleira com o título POESIA da livraria LDM. Vasculhando entre os livros dos poetas, reconheci Mônica Menezes. Eu lhe lembrei que ela havia me dado uma cópia do poema "Carta de Amor" no Encontro Literário da UEFS. Disse-lhe que não conseguia compreendê-lo por me faltar conhecimento (nunca ouvira falar em Dora Diamant). Contei também que tinha tentado localizar o seu endereço eletrônico (não por Ângela Vilma) por Nívea Vasconcellos.

Poucos minutos depois, bem contente com a lembrança, me dirigi a ela, que já estava acompanhada de Mayrant Gallo, e lhe perguntei: "Mônica, é seu o poema da Mangueira?" Ele respondeu: "A famosa mangueira! Você sabia que Mônica vai lançar um livro?" "Ela me disse", respondi, entusiasmada em continuar a conversa com a interlocutora que, timidamente, desviara o rosto, enquanto eu falava os seus versos "não tive barbies, não tive... a mangueira me deu tudo. E eu nunca soube ser muito infeliz". Relatei que nesse 8 de março, selecionei poemas de mulheres baianas para divulgar, entre os quais estavam o seu "A HERANÇA" e "A FOTOGRAFIA" que Ângela Vilma havia dedicado à sua mãe "a blusa era vermelha, ela sabia..". A fotografia era em P&B, mas a memória de sua dona era colorida.

Esqueci de dizer a Mayrant que era engraçado ver Mônica assim encabulada, porque, na verdade, era eu quem estava nervosa como uma colegial de 15 anos, ao dar uma de tiete aos 51. Não lhe falei também que "O NARRADOR" é o seu(meu) poema favorito. Isso porque, nos ensaios que fazemos da Escola de Poesia, os poemas passam a ser nossos. O autor, como índio, perde a sua posse. E nós, os navegantes colonizadores, sem a sua autorização, os divulgamos em outras paragens, fazemos escambo, barganhas e até chantagem sentimental pelo direito de falar os poemas. Seu dono é quem acha que o descobriu, o primeiro a ver o brilho do diamante em meio ao cascalho do vasto e desconhecido mundo dos livros.

Assim, faço as devidas correções, colocando os "meus" poemas preferidos dos poetas mencionados acima, além de convidar todos para o lançamento dos livros de Ângela Vilma e Mônica Menezes às 19h do dia 03 de agosto na Tom do Saber.

-.-.-
A FOTOGRAFIA*
Para Terezinha, minha mãe
Sentada na cadeira
As pernas cruzadas
Mãos pousadas na saia.
A blusa preta escondendo
A verdade da fotografia:
Era vermelha, ela sabia.
Ela sabia de tanta coisa!
(e nem sequer imaginava)
Seu sorriso acompanhava
O ritual da fotografia.
.-.
HERANÇA *
Para Maricelma
Há uma mangueira em minha vida
Não tive barbies, bicicletas
ou festas de aniversário
Só uma velha e frondosa mangueira.
A mangueira me deu tudo.
E eu nunca soube ser muito infeliz.
.-.
O NARRADOR*
As histórias que eu contava quando criança
Embora parecessem de outrem
Eram minhas: eu as inventava.
Inventava-as para mim
Para os que me rodeavam
Para os que me tinham em conta de louco.
De todas não me lembro uma
Embora toda me habitem.
Em todas estive, em todas morri.
.-.
* (Poemas extraídos do livro "CONCERTO LÍRICO A QUINZE VOZES - Uma Coletânea de Novos Poetas da Bahia, Salvador, Aboio Livre Edições, 2004)
-.-.-
ESCONDEDOURO DO AMOR -I**
O amor não está na estrela
que, ao cair, carrega o pedido sussurrado,
está no olhar que a percebe e espera.
O amor não está nas cartas
lançadas sobre mesas postas,
está na tensão de quem as ouve e deseja.
Búzios, números e datas
não contêm o amor,
só a esperança de encontrá-lo.
Mas, ninguém encontra o amor,
ele é (misteriosamente) despertado...
num momento de distração e abandono.
.-.
** (Poema extraído do livro ESCONDEDOUROS DO AMOR & OUTROS VERSOS SOB A ESPERA de Nívea Maria Vasconcellos, Feira de Santana, CDL, 2008)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ontem, católicos aos leões! Hoje, mulheres aos cães!


No Coliseu de Roma, há mais de 2000 anos, os católicos eram jogados aos leões como entretenimento ao público nas arquibancadas. No Brasil de hoje, a carne feminina é lançada como alimento aos cães no espetáculo hediondo do machismo nosso de cada dia. Sem originalidade para expressar tamanha indignação, faço minha as palavras de outros Homens:

"E assim caminha a humanidade,
com passos de forrmiga
e sem vontade...."

Lulu Santos
Vale ressaltar que as formigas formam uma sociedade extremamente produtiva e harmônica e com seus pequenos passos carregam pesos bem acima dos seus. Se caminhássemos proporcionalmente como elas, nossas sociedades estariam em outro estágio. No entanto,dotados de cérebros extremamente complexos, os homens é que parecem não sair do lugar primitivo de sempre...

"AVISO À PRAÇA"
Antônio Risério

O humano é um engano do humano.
Divide o humano em humano e desumano.
Sonho insano de se ver a salvo
De crivos e crises e crimes
Cravados no alvo.
Bobagem. Nenhum capitalismo é selvagem.
Puta não é cadela. Nem a vida, feroz.
O homem é o homem do homem.
Todos juntos e a uma só voz.
Humana é a sala de tortura,
A napalm, a navalha, a metralha no gueto
- a pele esfolada no porão.
Humana, humaníssima, a escravidão.
Humano é o arame farpado
O estripador branco, o estuprador preto,
Carndiru, Somália, Khmer, Bopal
O massacre na Praça da Paz Celestial.
Humana a fissão do átomo
Humana a fissura do FIM.

Não consta que

roseiras e gaivotas

ajam assim.



terça-feira, 6 de julho de 2010

MAIS UMA TRAVESSIA PARA HOMENAGEÁ-LA

CELINA*



Na batalha ao cair da tarde,
não viemos em um grande cavalo,
mas atravessaremos os muros da cidade
pra te dizer que és uma querida HELENA.



De pau oco com o corcel,
santinha, me faço de MARIA,
a prima e comadre de ISABEL.
Esperta, me disfarço em filha
e adentro o coração da família.




RITA, você sabe, não é fita,
nem dengo de CONCEIÇÃO,
essa ligação não se MEDE.
é forte, é PERPÉTUA!




* (Essa poesia foi feita para Celina Pimentel dos Santos nos seus 90 anos e foi postada na tarde de sua missa de 7o. dia. Dentre as qualidades de D. Celina destacavam-se a autenticidade, a liberdade de pensamento e a sinceridade em expô-los. Neste texto eu me refiro àqueles que lhe eram mais caros, seus sobrinhos e filhas: Perpétua, Arquimedes, Conceição, Rita, Maria Clementina, Helena Maria e, minha comadre, Isabel)